As pessoas, em menor ou maior grau, exceto os psicopatas, acreditam que tem um oráculo, um guia interno cuja opinião vale a pena consultar. Até Sócrates punha fé nesta espécie de conselheiro.
No mais das vezes, reproduz, a consciência, uma equação racional aplicada nas situações em que, pelo que as precedeu, se possa conjecturar acerca do que tem a possibilidade de sucedê-la.
Se aplicássemos a lógica do oráculo à prática do governo federal na pandemia, as premissas levariam a uma só conclusão: um grupo de psicopatas sem guia; ou guias psicopatas.
Não haveria outro algoritmo, com efeito, para o documento encaminhado pelo governo federal esta semana ao Congresso apontando governadores dos Estados e o Supremo Tribunal Federal como responsáveis pelos mais de cem mil óbitos do corona vírus no país.
Afinal, quando a Organização Mundial de Saúde anunciou lá em fevereiro a pandemia e os modos de combatê-la, já se tinha elementos para apontar, a partir de causas e efeitos antecedentes, aquilo que ela poderia provocar.
Na falta do oráculo (ou presença da má consciência), cem mil vidas se foram e é possível discernir que, paradoxalmente, operou uma reação teratológica de rebanho nas redes sociais que disseminam o documento como arma de uma guerra insana.
Na forma como revolucionam os valores semânticos, invertendo os sentidos de ação e reação, omissão e comissão. Ou seja, ativo é o que não age e passivo aquele que não se omite. Do contrário, tencionariam alterar realidades materiais com o uso de retórica absurdamente falsa, posto fundada em premissas irreais.
Um pensamento (ou sua falta) que desfigura a civilização. E que ficou mais pobre ainda nestes dias com a morte de Dom Pedro Casaldáliga, morador das barrancas do rio Araguaia, em São Félix, logo ali do outro lado da Aldeia Santa Isabel, na Ilha do Bananal. Em linha reta, a menos de 300 km de Palmas. (....)
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