Os políticos quando buscam os seus projetos (uma prerrogativa legítima), não raro tornam-se divertidos nas premissas que sustentam suas retóricas. Tome-se a decisão de Cinthia Ribeiro de pedir ao Democratas que indique um novo nome para a vice por achar o primeiro indicado inadequado.
A prefeita registrou sua chapa ontem com o vice. O sistema não aceita sem o vice. E o vice não desistiu até agora. Pela legislação eleitoral, pode-se alterar a chapa (sem mudar a coligação) até 20 dias antes das eleições (em Gurupi, na década de 90, o ex-prefeito Tadeu Gonçalves ocupou o nome na cédula poucos dias antes das urnas) em caso de cassação, indeferimento de registro, renúncia ou cancelamento de filiação. A bola está com o Democratas, portanto.
Fazendo uso do episódio como moto-contínuo de sua campanha (que começa hoje), a oposição a Cínthia (em Palmas mais de uma dezena de candidatos) impulsiona nas redes (há dois dias) a crise do vice (não sem o apoio dos interessados na sua manutenção aliados de Cínthia) sugerindo ser ficha suja a chapa quando, na verdade, a mudança (feita dentro do prazo eleitoral) se dá justamente em defesa da ficha limpa!!!
Ou estariam os demais candidatos defendendo um considerado ficha suja (que ainda se defende na Justiça, não é condenado) disputando, como vice, a prefeitura da Capital que discursam necessitar de transparência e moralidade administrativa? Risível para não apontar contradições e paradoxos.
O discurso disforme implica na dedução, por razão pura, que os demais candidatos não encontraram o rumo de suas campanhas. Ou não estão refletindo sobre processos políticos.
Apontar o dedo para a chapa quando esta busca a legalidade é ir, evidentemente, contra a legalidade que, por pura lógica política, anula, do ponto de vista do eleitor, problemas internos da chapa. Eleitor não está nem aí para partidos.
De outro modo: tanto os críticos quanto os aliados de Cínthia defensores da manutenção do vice (e da crise), malham em ferro frio. Mas os tais veem na crise problemas políticos quando ela, originária da negação de um suposto ficha suja, apresenta-se como solução e afirmação dos propósitos da prefeita (por assim dizer) morais e éticos na administração da cidade.
Do ponto de vista do conceito popular, é mamão com açúcar Cínthia aproveitar-se da tese oposicionista para impor-lhe mais desgaste, fazendo conexão daqueles que defenderiam o ficha suja na chapa com os opositores à Chefe do Executivo municipal na sua pretensão de buscar um ficha limpa.
Pior: se não fosse a finalidade o ficha suja na chapa da prefeita, os seus adversários estariam manejando os conceitos de moral e ética em favor de interesses pessoais. E não da maioria da população que defenderia, certamente, uma só moral e ética. Cuja falta estaria justamente no uso da crise que emergiu em favor da ética e moral. E não na esperada (e não deflagrada) defesa da oposição à prefeita, de medidas que ela tomasse contra um ficha suja na sua chapa.
Política, como é notório, não é para amadores. E nem se faz com o fígado ou coração.


