É inegável que o eleitor fez uma escolha quando o “podernite” (doença de poder) ainda não havia avançado sobre Wanderlei Barbosa. Apesar de expressivo número de assessores instigarem-no à inflamação no pior momento: campanha eleitoral.
Wanderlei acertou na conexão sobre suas origens, controlou seus impulsos e o que se viu no palanque foi o tal “curraleiro” contra tudo e todos os alienígenas. Uma espécie imaginária de tostão contra o milhão, uma guerra santa. E isto não foi invenção do seu marketing. Wanderlei o carrega vida inteira. Sua estética é esta mesmo como se fora um arquétipo dele mesmo.
Um sertanejo desejando melhorar a condições de vida dos seus que, ano a ano, nas últimas três décadas, são vistos apenas nas campanhas eleitorais.
As três centenas de bilhões orçamentários dos governos e a aceleração inercial da pobreza não dão abertura a contestações farofeiras.
E por outro lado, foi inteligente: manteve praticamente a equipe de Mauro Carlesse que vinha dando certo. O resultado está aí: desempenho fiscal elogiável.
A oposição tentou fazer da continuidade um malefício, quando, na verdade, trazia era benefício. Os 58,14% (481 mil votos) são demonstração inequívoca de que o eleitor separa o joio do trigo, o alho do bugalho.
Wanderlei saiu no lucro, mas ficou devendo um projeto de governo. Ganhou a eleição mais na relação afetiva do que em propostas.
Afinal, comprometer-se em aumentar cirurgias eletivas, construção de um hospital materno infantil, simplificar abertura de empresas, modernizar normas tributárias e promover regularização fundiária, suas principais propostas, não passam de obrigação governamental.
E que a oposição deixou de lado para bater abaixo da cintura de Wanderlei. Deu no que deu.


