A Operação Pronto-Socorro 2 (desenvolvida pela Polícia Federal em 24 de abril de 2016) em inquéritos do MPF quebrou sigilos bancários, telefônicos e fiscais dos investigados. E aprofundou-se na questão da compra dos campos operatórios no governo sob administração de Sandoval Cardoso, no final de 2014. O prejuízo para os cofres públicos (já identificado na Operação Pronto-Socorro 1) teria sido da ordem de meio bilhão de reais na compra de material inservível e contra pareceres técnicos (campos operatórios).
Um dos investigados foi o ex-secretário de Saúde, Márcio Carvalho (que substituiu o ex-secretário Luiz Antônio Ferreira). A PF concluiu que o ex-secretário era um dos que possivelmente receberia propina na Secretaria, por intermédio de Raimundo Filho (veja post anterior sobre o assunto). No inquérito, Márcio nega participação. Para a PF, Raimundo Filho da gravação é Raimundo da Farmácia (ou Raimundão), um representante comercial figurinha carimbada na Secretaria e um dos apoiadores do ex-governador Sandoval Cardoso. Inclusive em tratativas para recebimento para outras empresas.
Márcio Carvalho (conforme a PF) assinou várias notas de empenho tendo a empresa Brito & Ribeiro como favorecida. À Polícia ele teria admitido que, na condição de sub-secretário de Finanças da Secretaria de Saúde, ter assinado a solicitação de compras e as notas de empenho dos campos operatórios comprados da empresa. Mas negou proximidade com Raimundo da Farmácia. "Resta saber se ele tinha conhecimento da inservibilidade de tais produtos", aduz o delegado da PF.
A PF (pelo inquérito) concluiu entretanto que as evidências apontariam que a atuação do ex-secretário no pagamento dos campos operatórios foi motivada por recebimento de vantagem indevida. E o justifica com o fato de que entre setembro e dezembro de 2014 (período da compra), teria adquirido uma casa em Itacajá por R$ 230 mil (mediante transferência bancária). Some-se a isto uma movimentação financeira de R$ 1,7 milhão de receitas e outros R$ 1,7 milhão de despesas. Segundo a PF, a movimentação financeira do ex-secretário teria saltado de R$ 600 mil (2013) para R$ 1,2 milhão (2014), basicamente no ano dos pagamentos.
Ainda segundo a PF, o ex-secretário (cuja família não tinha histórico de grandes posses) teria adquirido mais dois apartamentos em Palmas e o informa relatando ocorrência policial registrada em 18 de dezembro de 2014 denunciando o fato.


