O ministro Onix Lorenzoni, considerado um dos mais atrapalhados e desprestigiados do governo Jair Bolsonaro, não deixou de ser Onix Lorenzoni na sua passagem por Palmas.
Pretextando lançar um programa nacional de serviço civil voluntário (que curiosamente será bancado por prefeituras) deu seus pitacos na sucessão estadual, impulsionando a pré-candidatura da deputada Dorinha Seabra ao Senado.
O programa foi criado por MP e já é criticado pela precarização do trabalho. No Estado, por exemplo, na última PNAD/IBGE (4º trimestre de 2021) haviam 491 mil pessoas (com idade de trabalhar) desocupadas, para uma PEA de 1,258 milhão de pessoas. Das pessoas empregadas no setor privado (270 mil), 101 mil (35%) trabalhavam sem carteira.
Daqueles empregados o rendimento médio per capita em 2021 (ainda conforme o IBGE) foi de R$ 1.028,00. Um valor menor que o salário minimo que, como é lógico, já não garante o mínimo.
Dorinha, facilmente constatado, tem votado na Câmara com o governo federal, pode formar, tudo indica (e Onix o realça) chapa majoritária com o senador Eduardo Gomes, líder de Bolsonaro no Congresso e que deve, conforme os bastidores, assumir o PL (deixando o MDB) nos próximos dias no lugar do ex-senador Vicentinho Alves que já acusou o golpe a seus aliados nos municípios.
Eduardo tem conversado com Marcelo Miranda mas matreiro como é não irá ficar dependendo do humor dos tais autênticos. Exemplos ele tem aos montes. Aliás, o MDB se movimenta para encontrar um candidato ao governo para o seu candidato ao Senado, Marcelo Miranda, chamar de seu. Há indicativo que poderia optar pelo ex-senador Ataídes de Oliveira que está com um pé dentro do MDB.
A prevalecer a opinião do ministro (que não diz nada sem o consentimento do chefe), entretanto, Bolsonaro teria batido o martelo e virado a ponta do prego em Eduardo/Dorinha. A arriscar Wanderlei/Kátia. Até porque onde estivesse Mauro Carlesse, Wanderlei não se acomodaria. E Carlesse preside o PSL, primeiro partido de Bolsonaro e um dos maiores fundos eleitorais do país. Só perde para o União Brasil de Dorinha.
Wanderlei não tem, a priori, matiz ideológico definido, ainda que esteja mais próximo da linha política de Jair Bolsonaro do que de Lula. Mas do outro lado, tem Eduardo Gomes. Ele está sem partido e Kátia recebeu no PP o deputado Vicente Jr, que deixou o PL expressando cobras e lagartos de Valdemar Costa Neto, outro pilar bolsonariano. Ou seja, dizendo-se aliado de Bolsonaro, Vicentinho saiu jogando pedras no partido que o presidente disputará a reeleição.
Dorinha já está nas ruas há muito colocando o seu nome. É situação pública e a deputada tem prestígio, trabalho e votos. Nada mais natural a pretensão senatorial. Ainda mais agora com o União Brasil do qual é uma das protagonistas nacionais. Aliás, mesmo partido do ministro.
O problema é político. Para Jair Bolsonaro, chefe de Onix e candidato à reeleição, não interessa, no atual estágio do calendário eleitoral (janela partidária na próxima quinta, 3) definir candidaturas da base aliada por motivos óbvios.
Disputa com Dorinha (do União Brasil) a senadora Kátia Abreu, do PP de Ciro Nogueira, o ministro da Casa Civil de Bolsonaro e comandante-em-chefe do Centrão que dá sustentação ao governo.
E não menos relevante, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, peça chave do Palácio do Planalto aos quais seria razoável supor que tenham interesse em manter seus parlamentares no Congresso.
Até porque as pesquisas indicariam problemas para Bolsonaro na reeleição e essa turma não é amadora. Já deve estar mirando mais a bancada no Congresso (e governadores nos Estados) do que arriscar jogar tudo na eleição do presidente.


