Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Ônibus do desembarque: senadora de oposição assume coordenação da bancada, expondo amadorismo político ou falta de jogo de cintura do Palácio Araguaia, em desfavor da política que sustenta o poder!!!

luizarmandocosta 11/03/2020 587 visualizações

Apontei aqui na semana passada as questões que levaram o suplente de deputado federal Lázaro Botelho entregar à senadora Kátia Abre a direção do Partido Progressista no Estado.  Dois deles: a desarticulação do Palácio e modo excludente com que Mauro Carlesse faz política no governo. Palacianos refutaram que houvesse uma crise política na base governista.

Pois bem: menos de semana depois, a bancada congressista decide colocar na coordenação de oito deputados federais e três senadores da República a senadora Kátia Abreu, que disputou o governo com Carlesse e em campanha aberta para 2022.

E qual a principal motivação dos parlamentares? O tratamento dado pelo Governador aos aliados e a falta de articulação do governo!!!! De outro modo: ao invés de ter como coordenador de bancada o líder do governo federal no Congresso, senador Eduardo Gomes, que facilitaria a viabilização de recursos, o Palácio agora terá uma senadora de oposição e uma bancada com viés contrário.

Gomes não esconde a irritação com o Palácio. O mesmo se daria com o vice-governador, Wanderlei Barbosa, fritado entre os auxiliares mais próximos do Governador por seu temperamento.

Estão em jogo R$ 174,9 milhões de emendas parlamentares (oito deputados e três senadores) e R$ 247 milhões de emendas de bancada. O governo circunstancialmente só teria aí os valores das emendas do deputado Carlos Gaguim, considerado o líder informal do Palácio no Congresso. Outro dos problemas de Mauro Carlesse.

Os deputados e senadores podem muito bem destinar as verbas diretamente para os municípios. Uma das reclamações que já se divulga seria a agenda de inaugurações de Carlesse, no meio da semana, quando deputados e senadores estão em Brasília (DF). Ou seja: trariam a grana mas na hora de entregar as obras, o governador faturaria sozinho como se fosse obra apenas de seu governo.

É muito longe ainda para as eleições mas o governo parece sem rumo, do ponto de vista político. Pode-se até argumentar que fosse estratégia de Mauro Carlesse para, lá na frente, negociar e manter o controle. Estaria, agora, praticando o dividir para administrar.

Ou reduzir já, ao máximo, a possibilidade de fazer crescer adversários no seu próprio grupo governista e sobre a sombra de seu governo, dada a suposição de vacância de poder político de Carlesse a partir de abril de 2022, na pressuposição de que renuncie para disputar o Senado ou Câmara dos Deputados.

O problema aí é que o governo (e todos os parlamentares tem conhecimento) não passa por bons momentos nos índices de aprovação da população. Não seria, portanto, o momento mais adequado para espalhar a base.

Não haveria demonstração mais eloquente que a reação dos deputados e senadores à disposição dos ônibus adquiridos com suas emendas, para a fotografia na porta do Palácio Araguaia.

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