Sábado, 24 de Out de 2026

Odir Rocha: a história haverá de contar (e anotar) com precisão o seu legado. Um homem honesto na política e na vida pessoal

05/05/2022 952 visualizações

Quando entrevistei o ex-prefeito Odir Rocha há dois meses (entrevista aí do lado no Canal), fisicamente não era aquele que conheci em 1.987 (antes da criação do Estado) em Colinas quando, como gerente de Comunicação da Caixa em Goiás, acompanhei reunião entre o gerente geral da instituição em Goiás e o prefeito da cidade nas tratativas para o financiamento de moradias populares no município. Odir não aceitou alegando que endividaria o município já carente de recursos. Preferia fazer as casas com recursos próprios, como o fez.

Odir não aparentava agora também o deputado federal eleito na década de 90. Ou mesmo o prefeito da Capital que vi trabalhar de 97 a 2000 quando acabou com as invasoes da cidade apesar das incursões políticas do Ministério Público Federal e de outras instituições do Judiciário. Aquela parte movida por interesses políticos não menos reprováveis como se nota ainda hoje não só no Estado mas  no país.

Restava entretanto do prefeito austero que administrou também a Capital a inteligência política, humildade e, era claro, portador de menos recursos financeiros do que possuía após décadas em que deixara seu próprio hospital para dedicar-se à política, que substituiu, na aposentadoria, pelo exercício da poesia.

Odir cuidou da cidade como à sua Dirce e família e enfrentava nos últimos anos não só um câncer mas a gravidade da saúde de uma filha médica com sequelas de Covid-19 contraída no atendimento que dava a pacientes no HGP e que o Estado resistiu em bancar leito em hospital particular na sua falta nos hospitais públicos. Teve que montar uma UTI dentro de casa com recursos de aposentadoria e ajuda de amigos.

Odir deu à prefeitura da Capital na sua administração a seriedade de tratamento que exige as contas públicas. Foi o seu pecado político pois, como revelou na entrevista, sua negação a retirar dinheiro público e entregá-lo ao seu grupo político ou a fraudar concursos públicos para nomear apaniguados o levou à desgraça.

Disse ter sido perseguido pelo TCE e pela Justiça, instituições que mais tarde o livrariam de todas as acusações por infundadas. Não menos por isto, deixou a política decepcionado e era praticamente cuidado por sua Dirce  uma nissei que conquistou ainda nos tempos da faculdade no Paraná e que acompanhou o seu sonho vida inteira.

 Morreu ontem magoado pelo tratamento que lhe dera o grupo político que ajudou a eleger (inclusive com recursos próprios) na década de 60 e que acompanhou na criação do Estado e da Capital. Um grupo que se distanciara apesar de tudo que fizera

Um grande homem, médico, político, poeta, pai e avô.

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