Enquanto o TCE e a Câmara Municipal de Palmas não decidem julgar suas contas (estão assim de 2014 a 2018), o ex-prefeito Carlos Amastha segue mais serelepe que nunca. Sem ser incomodado pela Justiça Eleitoral (o seu candidato) e sem ser candidato, o empresário ocupou ontem grande parte do propaganda eleitoral de Tiago Andrino.
Não há outra conclusão mais adequada: Amastha terceirizou para si a propaganda eleitoral gratuita e se assim o faz, autoriza deduções de que Tiago poderia terceirizar ao ex-prefeito a administração da Capital. Ou que o candidato (de fato e de direito) do PSB padecesse de retórica e fundamentos. Andrino seria literalmente um poste. Mesmo com toda musculatura política e carga ética/moral que carrega e suplanta a de seu criador nesta tábua de valores. Mas campanha eleitoral é sujeita a correção de rumos. Não é algo estático e imutável.
Aliás, no TCE ocorrem "coisas estranhas" para o cidadão normal. Pelo menos três prestações de contas de Carlos Amastha tiveram parecer pela rejeição (tanto dos relatores como do Ministério Público de Contas). Foram no entanto aprovadas no "Conselho". Outras, depois de rejeitadas, os conselheiros acataram recurso do ex-prefeito e modificaram a decisão de parecer pela rejeição aprovado para aprovação.
Há coisas cabeludas como a aplicação do Previpalmas (contrariando as normas do Banco Central), uso de DEAs acima do permitido (R$ 72 milhões/2017 e R$ 50 milhões/2016) mesmo tendo saldo financeiro de R$ 445 milhões e uma dezena de processos de contratação de licitação e uso de receita de multas em buffets.
No "seu programa" de ontem, Carlos Amastha prometeu ligar o centro aos Aurenys com o prolongamento da NS-10. Para que as pessoas não se arriquem na rodovia (TO-050) quando já tem a ligação pela Avenida Teotônio Segurado e que Cínthia Ribeiro promete duplicar a ponte sobre o Taquarussu.
A ligação prometida por Amastha seria resultado da parceria entre Nilmar Ruiz (ex-prefeita e vice) e o candidato do PSB. Para Amastha, a NS-10 é obra de Nilmar. A ex-prefeita teve uma administração apagada pela falta de obras e pelo siqueirismo que fez com a professora (e depois deputada federal) o que não conseguiu com o anterior, Odir Rocha, se é que me entendem.
Odir fazia um bom trabalho (97/2000), era o candidato natural à reeleição do siqueirismo. Mas se meteu a não atender pedidos pouco ortodoxos do grupo. Foi substituído e desenganou-se da política.
O resultado é que Nilmar disputou a reeleição no cargo e foi derrotada por Raul Filho que teve o dobro de seus votos. E ainda teve que aguentar em 2012 Carlos Amastha tripudiar sobre o seu "escorregador de lagartixa".


