O mundo não irá acabar para o Brasil na próxima quarta-feira.
A reação do governo brasileiro às tarifas de 25% impostas pelos EUA que entram em vigor depois de amanhã seguiu-se dentro do perímetro das relações comerciais e civilizadas até aqui.
Superada a resposta política – tão necessária quanto legítima – o governo iniciou a discussão de modos de compensação às estimadas perdas dos exportadores.
Tem instrumentos legais e econômicos para isto. E que possibilitariam melhores resultados do que o tal plano Brasil Soberano e a Lei de Reciprocidade desencavados por militantes da ala marxista-leninista governista. Sim. Eles ainda existem
Expedientes que apenas repicavam, de forma invertida, a natureza política da ação que diz necessário combater. Forças que, por óbvio, justapostas, se anulariam.
E aí seria o PIB de US$ 30 trilhões (EUA) de 2025 de frente para os US$ 2,3 trilhões do PIB brasileiro numa equação comercial que contrariaria a falácia de competição econômica livre entre rivais.
Ainda que prejudique os exportadores brasileiros, a taxação de 25% não os levará à falência. Há mercados.
Ademais, dos US$ 348,2 bilhões de exportações brasileiras no ano passado, apenas US$ 37,6 bilhões destinaram-se aos Estados Unidos (10,8% das exportações do país). E destes, só US$ 6,7 bilhões serão atingidos (18%), conforme o governo.
Dar maior valor político às taxações reforçaria sua própria finalidade. Insuficiente para contrapor-se ao superávit dos EUA na balança comercial entre os dois países.
Se o Brasil vendeu no ano passado US$ 37,6 bilhões aos EUA (MDIC), comprou, por outro lado, US$ 45,1 bilhões.
Não haveria, portanto, racionalidade tanto nas taxas impostas quanto na reação política mercurial circunstancialmente utilizada e depois calibrada pelo governo.



