Se hoje me perguntassem o que eu pensava no exato instante em que o então governador Siqueira Campos no dia 20 de maio de 89, num sol de rachar o côco, subiu num trator de esteira abrindo simbolicamente a Avenida JK em direção ao Leste (e a cidade) certamente não era que Palmas crescesse tanto e com tanta beleza estética e preservação do meio ambiente. Embrulhada em paradoxos colossais.
Era uma cidade novinha que saía das pranchetas como num sonho. Colocá-la fora do papel é que era o mais difícil. O sonho não era tão fácil realizar. Além disso, havia por trás outro sonho que era aquele de todo imigrante: mudar a vida e de sua família.
E aí paradoxo: como não existia cidade, faltavam empregos e qualidade de vida. A pessoa buscava a mais nova capital do país querendo melhorar de vida quando isto era o que menos ela oferecia. Se para os nativos a cidade era o símbolo de um Estado e de uma luta, aos olhos dos alienígenas era seu próprio projeto de vida.
Apostava-se que a situação como algo que pudesse, um dia, ser alterada. Acordaria-se numa manhã sem os potós, poeira na cara e se dormiria com uma energia elétrica constante que não nos deixasse no escuro, sem ar-condicionado ou queimando aparelhos eletrodomésticos. E, claro, com muito dinheiro no bolso, boas escolas e comida farta à mesa
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