Sexta-feira, 23 de Out de 2026

No Estado, 43% dos médicos estão na Capital. Sem o Mais Médicos, atendimento de saúde pública no interior pode entrar em colapso

luizarmandocosta 16/11/2018 1992 visualizações

Jair Bolsonaro não obteve a maioria dos votos do eleitorado do Tocantins (356 mil contra 371 mil de Fernando Haddad) mas de sua decisão depende o pouco de saúde pública disponível à população. Especialmente de baixa renda.

A propalada intenção de extinguir o Mais Médicos por motivação meramente ideológica vai atingir diretamente o Estado. No Tocantins, conforme o Conselho Regional de Medicina, existiriam 2 mil e 500 médicos. Destes, 43% atendendo na Capital (1.075) e os seus 300 mil habitantes.

Significa que os 1,3 milhão de pessoas que moram nas outras cidades do Estado teriam, estatisticamente, que se virar com 1 mil e 425 médicos.

Disso tem-se uma conta: se na Capital ter-se-ia um médico para cada 279 habitantes, no restante do Estado esta média seria de um médico para cada 912 habitantes. Ou seja, praticamente o triplo de pessoas para cada profissional.

E essa desproporção será, evidentemente, maior caso o programa deixe de existir. Como é sabido, os profissionais cubanos preenchem nos lugares mais inóspitos (mas que tem gente necessidade de saúde pública/no Tocantins 55% estão na pobreza/extrema pobreza) a vacância dos nacionais que preferem o conforto de Palmas, como demonstram os números do Conselho Regional de Medicina.

De outro modo: enquanto os nacionais abrem clínicas e escritórios na Capital, enriquecendo-se, legitimamente, diga-se, da noite para o dia, dada a demanda provocada pela ineficiência do serviço de saúde pública (onde também a maioria tem sua segunda fonte de renda), os estrangeiros cubanos se dedicam ao interiorzão.

Tudo isto porque para Bolsonaro o governo não pode continuar mandando grana para Cuba. Deveria, assim, dar atrativos aos nacionais para trabalhar, por exemplo, lá em Esperantina ou na curva de São Sebastião. Ou estabelecer convênios direto entre o Mais Médicos e os profissionais cubanos já adaptados ao país.

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