Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Nilo Alves: seu destino para artistas e imprensa elitista era ser proscrito!!! Venceu no talento mas perdeu para a negação obscurantista dos terraplanistas!!!!Foi-se Nilo, ficou sua voz!!!

12/03/2021 789 visualizações

A morte do cantor/compositor/memorialista/poeta/jornalista Nilo Alves é daquelas peças que nos prega o Covid-19 (e a vida) que neste momento nos faria melhor pensássemos fosse mais uma daquelas estrepolias do Nilo.  Dói e corrói descobrir não ser apenas mais uma narrativa a sobrepor-se aos fatos, mas o contrário. E de forma inapelavelmente relâmpago como trata o vírus suas vítimas.

Como as 273 mil vidas levadas pelo Coronavírus no Brasil, Nilo caiu sem ter sido dado-lhe tempo para compreender a letalidade do vírus que tem como parceiro a maior autoridade do país.Justamente no momento em que estava no auge de sua produção artística e empolgava-se em buscar uma graduação com mais de 60 anos, certificação impossibilitada até aqui pelas condições que a vida lhe impôs de primeiro garantir  o sustento (e ajudar a criação de sua Eva Maria com a jornalista amiga Celi Camargo) com o seu talento.

 Acaso ou destino, sua porção jornalista foi vencida pelo Covid-19 no dia em que se tinha conhecimento de uma ação civil pública proposta por um promotor da Capital contra as medidas restritivas determinadas pelo poder público municipal justamente a única medida da Organização Mundial de Saúde para evitar a contaminação e com ele a proliferação do virus que mata. Este que encontrou Nilo quando se inicia a vacinação.  O promotor que quer todo mundo nas ruas, contra o isolamento social e se tratando com ivermectina. Instrumentalizado, como Jair Bolsonaro, com a máquina pública.

A morte de Nilo Alves corta em mim tal de outra amiga, Kibb Barreto. Ambos frequentadores dos finais de semana  de minha casa e da casa dos meus pais que os conheciam e os adoravam há três décadas. Muitos trabalhos de Nilo os conheci em primeira mão. Não bebia nem fumava há muito tempo. Mas não perdia a alegria e a motivação para seus projetos.

Tivemos o primeiro contato no início da década de 80 quando com o seu show "Zé" conseguiu lotar o Teatro Goiânia. Uma façanha considerável. Apesar da torcida contra de cantores goianos e seus sobrenomes, sublinhado por parte da imprensa local que enxergava em Nilo apenas defeitos quando todos os tem. Deixando de lado o seu talento, infinitamente superior às falhas humanas que carregava. Misturavam convenientemente o cidadão, artista e sua arte. É como se negasse Caetano, Gil, Eli ou tantos outros porque davam "uns tapas" ou Tim Maia pelas passagens  pela cadeia por roubo, Vandré pela droga ou que tais..

De lá para cá, nossa relação se aprofundou, especialmente a partir de 93  já em Palmas. Era um artista talentoso mas tratado, em grande medida, como um proscrito, não só no Tocantins, mas em Goiás. Fazia uso do preconceito que parte da classe artistica e da imprensa lhe dedicava, incentivo para mais e mais projetos, mais e mais produção. Muitos que, hoje, estarão por aí a dedicar-lhe notas de pesar e que, não raro, o tratavam com desprezo inaudito. Nunca ouvi Nilo, entretanto, despejar rancores.

Vai demorar aparecer um artista tão ou mais autêntico na interpretação de Geraldo Azevedo ou Zé Ramalho. Ou de muitas da canções de compositores goianos que, com sua interpretação, ganharam maior dimensão acústica vocal e melodia.

Foi-se Nilo, fica sua voz e presença marcante que foi e será na vida daqueles que o cultivaram e que ele se dedicava a preservar todos os dias, nas suas mensagens diárias, como a lembrarmo-nos de nossa existência efêmera que o Covid-19 fê-lo a nós demonstrar de forma tão brutal.

 

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