A indicação da ex-prefeita de Palmas e ex-deputada federal Nilmar Ruiz para presidência adiciona mais tintas à troca de comando do PL no Estado.
Nilmar era, até dias atrás, assessora especial do deputado federal Vicentinho Junior no seu gabinete em Palmas. A ex-prefeita tem perfil de aliada fiel, sem histórico de traições políticas.
O deputado deixou o PL dizendo-se contrariado com as ligações da direção nacional da legenda com políticos próximos ao governador afastado Mauro Carlesse. Apoiou-se no PP que tem ligações com o governador interino Wanderlei Barbosa.
Com sua experiência como ex-deputada federal e ex-prefeita da Capital (foi também secretária municipal e estadual de Educação) Nilmar tinha certamente mais ativos que passivos a agregar (como deve ter agregado) a Vicentinho (tanto pai, Vicente Alves, presidente derrubado do PL regional quanto filho).
Tanto que foi indicada pelo PL para compor a chapa elaborada pelo ex-prefeito Carlos Amastha, ocupando o cargo de vice de Tiago Andrino. Derrotados que foram pela prefeita Cínthia Ribeiro. Mauro Carlesse era governador e ficou de fora da campanha na Capital, muito embora Wanderlei Barbosa tenha defendido Eli Borges.
Os elementos da equação colocada, assim, sugerem que as justificativas dos Alves para deixarem o comando do PL (e o partido) possam ter sustentação em outras premissas que não aquelas elaboradas pela dupla.
Uma construção que já tinha a acusação de intervenção da nacional (como se não soubessem da condição de comissão provisória sujeita, desde sempre, portanto, a uma canetada) a que são submetidos estatutária e politicamente.
Ainda que tanto os que deixam o PL quanto os que assumem o comando do partido, defendam os mesmos princípios e igual candidatura de Jair Bolsonaro (filiado à legenda) a presidente. Sem fissuras nacionais, portanto.
Sobra, assim, a indizível explicação, tanto por suas causas como pelos efeitos delas decorrentes, de ligação dos novos dirigentes (que, por lógica, contrariamente, precederia a decisão da saida e não a antecederia já que o novo sucede e se sucede vem depois do anterior) com o governador afastado Mauro Carlesse, que comanda o PSL mas emparedado por um processo gravíssimo no STJ, afastamento do cargo e processo de impeachment na Assembléia Legislativa.
Seria até burrice o maior líder bolsonarista no Estado, senador Eduardo Gomes (líder do governo federal no Congresso) não aceitar ter debaixo do braço (parte da nova direção é a ele ligada) um partido com tantos recursos, prefeitos, vereadores e filiados no Estado. Sem mover publicamente uma palha, sem mexer na estrutura regional do partido (como atesta Nilmar na presidência) e sem necessitar deixar, por enquanto, o MDB.
E de graça em decorrência, tudo indica, apenas de intransigência política do deputado Vicente Jr. e do ex-senador Vicente Alves, movidos, aparentemente, por interesses pessoais contrariados pelo governador afastado. Com todos os passivos de um governador fora do cargo por acusações de desvios de recursos públicos.
Conclui-se que aquilo que faltou a Vicentinho Junior e Vicente Alves, sobrou em Eduardo Gomes: cérebro mais que fígado.


