Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Negociatas na Câmara são mais graves do que empréstimos que seriam contraídos somente na próxima administração. Movimentações ilegítimas subordinam interesses públicos ao privado mascarando a representação

05/07/2024 1098 visualizações

Não é difícil identificar que há um grupo financeiro subordinando a Assembléia Legislativa e a Câmara Municipal de Palmas. Com ramificações nas redes e setores de comunicação.

O acordo entre os sujeitos ativo e passivo no exercício da competência de fazer e derrubar leis, transforma a função de deputados e vereadores em operadores privados, terceirizando a coisa pública.

E o fazem tanto à luz do dia quanto nas sombras da noite.

É uma hegemonia ilegítima na forma e no conteúdo – com inclinações que podem ser enquadradas na legislação penal – que dá contornos à precariedade e ausência de princípios de parcela da atual representação nos dois legislativos.

Na reprovação (sob argumentos políticos e estratégia de negociação explícita) ontem das LCs de autorização de empréstimos por parte do Executivo sucedeu, com efeito, tática semelhante à desconvocação, num final de semana, do CEO da BRK. De uma estratégia com fins definidos e claros.

É situação que leva mais preocupação à coisa pública do que o empréstimo propriamente dito. Isto porque a população vota no seu vereador ou deputado, mas seu representante é, no exercício, mais parecido com preposto de grupos financeiros e suas relações negociais.

Para dar um pouco de seriedade às sessões de ontem, os vereadores aprovaram a elevação de suas verbas indenizatórias e reprovaram a criação do trade turístico da Capital.

Não há explicações razoáveis para uma ou outra decisão que não exercício de poder político para, após, obter-se possibilidade de ganhos financeiros.

Mediaria a situação não a coisa pública, mas seu aproveitamento privado, político e financeiro.

No ano passado, a Câmara teve despesas de R$ 56,9 milhões (balanço em apreciação no TCE). Ou seja, R$ 20 milhões a mais do que os R$ 36,4 milhões de 2022.

Mas precisam de mais, como apontou este blog ontem de posse de documentos oficiais.

Cínthia parece que foi derrotada. Mas legou êxito maior à população: expôs o contubérnio entre a função pública e interesses privados na Câmara.

Em pedidos de empréstimo que ela sequer assinaria a operação, como está na própria proposta e justificativa do Executivo, dadas as restrições legais.

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