É comum em períodos eleitorais parcela da população renovar suas avaliações sobre o grau de hipocrisia da classe política. É um jogo, com efeito, praticado por ambas as partes.
O político comendo osso com o povão, fazendo-se de povão. E o povão cobrando daqueles que não o fazem de modo semelhante, que lhes impossibilita, pela falta de objeto, fazer uso da crítica acerca da hipocrisia do mesmo sujeito.
De outro modo: neste particular, o político é cobrado por ser hipócrita e não ser hipócrita ao mesmo tempo. Isto, mais por dedução que indução, deslocaria o sujeito da hipocrisia para o povão, permanecendo o objeto no mesmo lugar.
Não é, convenhamos, uma jaboticaba só nossa, criada há três décadas. No ex-Norte de Goiás, até Otávio Lage (de Goianésia) passou pedindo votos para o governo de Goiás. Esteve por aqui uma ou duas vezes.
Ribas Junior, mais discreto, preferia ficar de longe. Cite aí uma obra relevante de Otávio ou mesmo de Iris Rezende (outro coronel goiano) na região!!! E de Leonino di Ramos Caiado!!
Mauro Borges (outro governador de Goiás), um coronel do Exército, até hoje é lembrado por uma espécie de soviet que tentou montar (e não deu certo apesar de equivocadas avaliações políticas e histórica) em Combinado/Arraias. Tinha os olhos voltados para Goiânia e Vila Boa.
Um militar implantando um projeto comunista! Mas só a guerrilha do Araguaia se mantém viva da história. Mauro era filho de Pedro Ludovico que administrava o Norte de longe, do alto de prepotência, mais tarde entendida como democrata. Não muito diferente de Siqueira Campos, só que com vetor invertido.
Curiosamente, alguma obra na região foi realizada pelos não-hipócritas. Aqueles que não vinham nem mandavam cartas como Irapuan Costa Junior (governador biônico de Goiás/ponte de Porto Nacional), Ary Valadão (outro governador biônico/projeto Rio Formoso). Cite aí uma obra de relevo trazida por Siqueira Campos ou Zé Freire nos seus mandatos!!!
E Castelo Branco, no auge da ditadura, foi a Porto Nacional beijar a mão do bispo Don Alano Marie do Noday, a maior liderança popular do então Norte de Goiás que preenchia o vazio de poder dessa parte da região Amazônica, cá, como lá, objeto da preocupação dos militares.
O mesmo Don Alano, da mesma igreja, que reportava aos governos militares a ação de outro militar, Luis Carlos Prestes, com sua Coluna Prestes, que assacava contra a população, apropriando-se de seus bens e mulheres, em favor de uma revolução.
Invadiu o seminário São José em Porto, fechou um jornal na cidade e hoje tem um memorial na principal praça do Estado, Praça dos Girassóis, onde estão alojados os três poderes e a Igreja.
Mauro Borges era um dos “hipócritas” que poderia ser comparado ao lorde Jarmund Nasser, Leonino Caiado, Rui Brasil, Joao Abrão e até o hoje “tocantinense de Iporá”, Adjair Lima, dava as caras quando secretário de Educação de Goiás e depois deputado estadual.
Tão hipócritas – no raciocínio - como os nortenses José Freire, Coronel Pereira (tio-avô do deputado Junior Geo), Siqueira Campos, Zé Dourado, Benedito Boa Sorte (senador biônico) e tantos outros (curraleiros na ditadura e pós-ditadura) que só passavam pelo Norte nas eleições e se mantinham entre Brasília, Goiânia e Rio de Janeiro encaminhando para cá cartões de aniversário e malas diretas.
O fio dessa relação, entretanto, é a democracia. Hoje o cidadão pode trocar os seus hipócritas a cada quatro anos. Se eles persistem, haveriam mais hipócritas na relação. Situação, entretanto, seguramente melhor do que não ter a opção de alterar tais hipócritas que a democracia permite.


