Num destes programas com nomes iniciados com "Pro" alguma coisa, a Caixa (quando ainda chamavam-na de Caixa Econômica Federal, seu lucro era social e sua imagem não era apenas um X multiplicador) buscava no início dos anos 80 fixar o homem no campo. Coisa que no fundo seria mais compatível com o Banco do Brasil, de tradição rural.
Na verdade tencionava o governo combater o êxodo da roça para a cidade. Um mesmo objetivo, como se percebe, colocado de duas formas. De outro modo, a Caixa, que é urbana, no fundo despacharia para o Banco do Brasil (rural) um problema que, ainda assim, não mudaria de mãos: continuaria com o governo, maior acionista do BB e dono da Caixa (banco público).
Criando uma narrativa, seria mais producente: o homem do campo teria, com a sua ajuda (financiamentos subsidiados da Caixa) recursos para seus porquinhos e vaquinhas, faria seus queijos e linguiças (que poderia vender o excedente no comércio), aproveitaria os excrementos como adubo para seu canteiro (muita horta no quintal), enfim, teria uma vida auto-sustentável e ainda obteria algum dinheiro. Poesia pura.
Siqueira Campos reeditou por aqui um programa semelhante nos anos 90. Lá se vão quase 30 anos. O governo financiava vaquinhas leiteiras e dava algum suporte para que o homem do campo pudesse ganhar sua vida lá mesmo. Em suma: não precisasse encher as cidades evitando maiores problemas sociais. O pequeno produtor criaria suas vaquinhas, como no programa da Caixa, faria seus queijinhos, venderia seu leite para os laticínios, adubaria sua horta e venderia o excedente.
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