Dois movimentos nos últimos dias sugerem mais inteligência e pragmatismo políticos que passionalidade.
No primeiro, a prefeita Cínthia Ribeiro (presidente estadual do PSDB) divulgou (junto com o deputado Eduardo Mantoan) alinhamento à candidatura de Wagner Rodrigues à reeleição em Araguaína.
Informação pública sem subterfúgios. Cinthia tem mantido interlocução, como também é público, não só institucional com o governador Wanderlei Barbosa. Mas o PSDB não teria candidato competitivo em Araguaína.
E a prefeita não esconde de ninguém que apoiará um candidato do Palácio em Palmas. Desde que não seja, compreensivamente, Janad Valcari, que tem-lhe sido adversa de modo quase pessoal. No popular, num raciocínio sem maiores profundidades, uma troca: Araguaína por Palmas.
“Não sei o que fiz a essa deputada, não há uma acusação sequer que eu tenha feito a ela, um mal qualquer, para me tratar como inimiga mais que adversária”, disse a prefeita ao blog dias atrás.
O Chefe do Executivo estadual, também de forma transparente, já demonstrou ter decidido por apoiar o deputado Jorge Frederico (do seu partido, Republicanos) no segundo maior colégio eleitoral do Estado.
O contrário é que seria inusitado: Wanderlei apoiar um candidato de outro partido (como o faz Carlos Gaguim, presidente do UB em Palmas) quando tem um postulante competitivo na legenda que preside no Tocantins.
Tanto Cínthia quanto Wanderlei, entretanto, tem suas razões para aproximação quanto para distanciamento de candidaturas nos municípios.
Em Araguaína, o Palácio (como apurou o blog) teria mais que evidências de que Wagner não saíra ainda da aba de Ronaldo Dimas, seu adversário de 2022. E daqui a dois anos há novas eleições estaduais.
Com efeito, as ações e reações do prefeito do União Brasil o levam à oposição a Wanderlei. Embora aqui e acolá saia-se com dubiedades moldadas ao pior do bolsonarismo.
Como não há interferência da presidente regional do UB, senadora Dorinha Seabra (que apóia Wagner, do seu partido, como de igual modo silencia em Palmas), a posição da parlamentar, aparentemente, se assemelharia à de Cínthia.
Só aparentemente. A prefeita da Capital não silenciou-se sobre as movimentações para 2026.
Já a senadora deixa correr frouxo, sob risco de interpretações diversas, as movimentações de Carlos Gaguim que a prefere para disputar o governo e ele o Senado. E, por pura lógica, à “cristianização” da deputada Vanda Monteiro, da sua legenda.
E que não deixam se candidatar pelo partido nem que a parlamentar busque oportunidade em outra legenda, dado o potencial eleitoral que emergiu das urnas para prefeito em 2020 como para estadual em 2022.
Tomando como ponto de partida a discrepância entre os movimentos, a clareza de uns e a falta de transparência de outros, é preciso apostar que haveria luz para a escuridão política de Amélio Cayres e Carlos Gaguim.
Pontas de lança que se expõem em movimentações públicas e outras nem tanto, de uma eventual candidatura do PL contra a possibilidade de candidaturas de seus próprios quadros, o Republicanos e o União Brasil.
Na quarta-feira, as franjas do primeiro fizeram parte da correia de transmissão das difamações disseminadas pelas franjas do segundo contra a transparência (ou falta dela) de suas movimentações políticas apontadas por este blog e o T1 Notícias.
Atividades políticas pagas, por sinal, com recursos públicos. Pelo Transparência Internacional (2023), no entanto, a Assembléia Legislativa do Tocantins - presidida por Amélio Cayres - era a 4ª menos transparente do país (de um total de 27 Legislativos, ocupava a 23ª posição em transparência).
Já o deputado Carlos Gaguim - que se alia a Amélio nas práticas em favor de Janad Valcari - numa escala de 0 a 5, tem o nível 1 de transparência dentre os 513 deputados federais (Congresso em Foco/2023).
Em 2022, enquanto Carlos Gaguim declarou patrimônio de R$ 14,9 milhões, Cayres registrou que tem bens de R$ 8,8 milhões.
Enquanto Cayres financiou com recursos próprios R$ 127 mil (46,50% dos recursos que teve) de sua campanha eleitoral, recebeu ainda R$ 50 mil do fundo eleitoral do Republicanos.
Partido no Estado presidido por Wanderlei Barbosa, que ainda não se posicionou sobre a candidatura metropolitana. Um atropelo do presidente do Legislativo ao Chefe do Executivo que comanda o partido de ambos.
Já Carlos Gaguim, para deputado federal, recebeu em 2022 o total de R$ 2,150 milhões (91,68% dos recursos) da direção nacional do UB e outros R$ 169 mil da direção regional do partido. Dinheiro público do fundo eleitoral formado pelos impostos dos contribuintes.
Tirou do seu bolso apenas R$ 9,5 mil. Dos R$ 2,365 milhões que declarou que teve para sua reeleição.
Já Dorinha, teve da direção nacional do UB para sua campanha o montante de R$ 3 milhões (89,14% de sua campanha) e da direção regional do UB o total de R$ 366 mil (10,86%) da campanha que custou declarados R$ 3,275 milhões de despesas para arrecadados R$ 3,375 milhões de receitas. Se um tostal do bolso da Senadora.
Ou seja, a campanha de Carlos Gaguim e Dorinha demandou do UB em 2022 a bagatela de R$ 5,685 milhões. Algo próximo dos R$ 6,5 milhões de receitas da campanha de Wanderlei Barbosa ao governo. Dos quais, R$ 5 milhões doados pelo proprio UB.
Para termos de comparação, a campanha de Ataídes Oliveira ao Senado (de longe o empresário é o político com mais bens do Estado, rendas adquiridas antes de entrar na política com suas empresas) teve receitas de R$ 305 mil. Carlos Amastha (R$ 2,7 milhões), Kátia Abreu (R$ 3,5 milhões) e Vilela do PT teve R$ 612 mil.
Os números são da Justiça Eleitoral. Tem-se aí uma boa régua. E a medida não é inventada ou alimentada pelo blog. E sim pelos próprios coadjuvantes e protagonistas da cena política estadual nas atuais circunstâncias.


