Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Não cheira bem o uso político que os governos de Goiás, Mato Grosso e Tocantins tem feito das operações contra o novo cangaço de Confresa. Já são nove os bandidos mortos!

30/04/2023 1175 visualizações

Expande-se, não com certo ufanismo e honra até guerreira, a informação de que a Polícia de Goiás, Mato Grosso e Tocantins teria eliminado, ontem, a tiros o nono integrante da quadrilha que tentou assaltar uma empresa na cidade de Confresa (MT).

A nona morte ocorre três dias após os governadores dos três Estados reunirem-se num movimento político contra o denominado “novo cangaço”. O grupo de bandidos não conseguiu levar os R$ 60 milhões que pretendia roubar, muito embora tenha (conforme a mídia) aterrorizado a cidade.

A divisa que Confresa (MT) faz com o território do Tocantins, o município não a possui com Goiás. Os três Estados, entretanto, tem como conectivo serem administrados por três governadores bolsonaristas: Ronaldo Caiado (UB), Mauro Mendes (UB) e Wanderlei Barbosa (Republicanos). E, claro, dominadas pelo agro. Ou seja: bandido é na bala e não na cadeia.

De forma que não é de se espantar que, ao invés de esperar a rendição de bandidos cercados em um perímetro já delimitado e sem alimentação, promovessem a reação a “injusta agressão” no meio do mato e sem testemunhas oculares fora do grupo.

Lembrar que o papel da Polícia é prender e da Justiça julgar é, nestes dias, buscar ser tachado como defensor de bandido. Ainda que seja explícita a relação casuística entre o uso político da operação e a eliminação do “mal”. E em assim sendo, a prevalência de vontades políticas sobre a realização da Justiça.

No que concerne à preocupação dos três governos com a segurança pública diária do cidadão, as coisas não são bem desta forma.

Goiás (conforme o Anuário da Segurança Pública/2021 publicado no segundo semestre do ano passado) é o Estado que possui a 3ª polícia mais letal do país. Um índice de 8 mortes por PMs para cada 100 mil. Mato Grosso é o nono (2,9 /100 mil) e o Tocantins é o 10° dentre 27 Estados (2,6/100 mil). Ou seja, tem-se aí um viés.

Por outro lado, no Tocantins, de 2009 a 2019 a taxa de homicídios cresceu 95,3% e a de Goiás 15,6%. No caso dos homicídios, no Tocantins 91% dos homicídios contra mulheres se deu em mulheres negras. Maior do que os 73% de Goiás e 67% de Mato Grosso contra mulheres afrodescendentes.

Dados estatísticos que não movimentam os três governos a exercerem, com a mesma euforia e amplitude como o fazem contra o cangaço de Confresa, um combate sistemático e sistêmico. Pelo contrário: no caso dos policiais incentiva-se a exercitar as mesmas práticas que os elevam.

Apenas vontades políticas eventuais para fatos circunstanciais que ocupam superficialmente as preocupações da população com segurança pública que o aparato pretenderia responder.

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