O vereador metropolitano Filipe Martins parece, ao seu modo muito peculiar, querer fazer valer o princípio bíblico de que "quem sai aos seus, não degenera".
Cientificamente o ditado é mais uma dessas lendas religiosas: o ser humano não está necessariamente, especialmente do ponto de vista moral e ético, condicionado ao seu conjunto de formações biológicas e genes familiares.
Filipe, que já defendeu a censura de livro de histórias em quadrinhos da Bienal do Livro (no Rio de Janeiro) e é contra mostrar nas escolas o que é ideologia de gênero, saiu-se com mais uma esta semana. Pago, diga-se, com recursos públicos de evangélicos, católicos, místicos, ateus, judeus, homossexuais, negros, colombianos, franceses, gaúchos, maranhenses, paraenses, enfim.
É até goianos como ele, criado com dinheiro de impostos que pagavam o salário do pai, ex-deputado federal do Estado. Um dinheiro ecumênico financiando um garoto que se porta como jacobino extremista de direita burra, que não mereceria atenção não fosse seus ataques, pago com dinheiro público, à ordem civilizatória que é, constitucionalmente, obrigado a defender.
A declaração feita pelo vereador na Câmara esta semana, travestida de preocupação com a população de Palmas, é estúpida, racista e xenófoba. Proveniente de uma "cabeça" que, para "garantir" vacinas à população da Capital, finca suas quatro patas no argumento de que não sobrará para os venezuelanos que lutam por comida nas ruas.
Ou seja, ao invés de , como vereador, auxiliar a prefeitura a comprar ou viabilizar mais vacinas, prefere eliminar os venezuelanos das ruas. Não informou como: deve ser colocar todos eles num caminhão pau de arara e deixá-los na divisa com Porto, Paraíso, Lajeado, Aparecida do Rio Negro ou Miracema. Resta saber se com ou sem consulta aos prefeitos. Ou dispor guardas metropolitanos nas entradas e saídas para verificar se tem venezuelanos nos carros e ônibus. Uma "egüice avantajada".
Para a cabeça que deve ter passado pelo banco de escola sem livros, porque não se saberia que eles (venezuelanos) estariam imunizados já que, para sua excelência, a qualidade da saúde na Venezuela "não é diferente de outros países comandados pelo socialismo".
O raciocínio primitivo que ele tenta escamotear com a atitude facilmente enquadrada com o xenofobia e racismo, carrega o princípio partidário da dualidade ideológica pregada por seus líderes para firmar-se como corrente de pensamento.
A tese, se ele estudasse, não resistiria ao apontamento ao sistema de saúde de Cuba, modelo para o mundo, conforme a Organização Mundial de Saúde. Ademais, o socialismo caiu com o muro de Berlim, há 30 anos, vencido pelo capitalismo. Mas os "çábios" não sabem a diferença entre socialismo e comunismo.
O parlamentar, na sua sabedoria, tangencia o fato de que a imunidade parlamentar não o protege de crime de racismo e de xenofobia. O primeiro é inafiançável, pode ser preso em flagrante. E vereador não goza de imunidade formal.
Racismo é isso aqui:
Racismo ocorre quando a pessoa tem a sua etnia desprezada, seja por impedimento de entrar em um determinado local ou por não ser contratada para um trabalho. A pena para esses casos, segundo a Lei Antirracismo 7716/89, é de 1 a 3 anos de prisão, além de multa.Xenofobia é isso:
Xenofobia é uma forma de discriminação social que recai na não aceitação de diferentes culturas e nacionalidades. Caracterizada em forma de constrangimento, agressão física e moral ou humilhação.Releia o que discursou o vereador e tire suas conclusões. O Ministério Público tão cioso de suas obrigações, teria um trabalho relevante a fazer em favor da civilização.


