No Brasil quando se tem conhecimento de uma discussão no Congresso, regra geral, se ela beneficia os rentistas, pode-se ter como aprovada.
É o caso desse debate provocado no Senado pelo presidente do Banco Central, Campos Neto, de dar ao BC autonomia ampla.
Nesta segunda, a FSP publica que Campos quer mais: a agenda climática.
Não haveria outra consequência dessa autonomia ampla que a subordinação dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário à autoridade monetária.
O BC funciona junto aos mercados. Deles abstrai projeções de indicadores que demarcam a taxa de juros no país.
De modo que a economia já é determinada pelo mercado. Os diretores do BC, não sem razão, quando o deixam, são absorvidos por este mesmo mercado.
Mas hoje a Constituição dá aos poderes instrumentos para intermediar essa relação.
Com o BC acima de todos (e Deus acima de tudo), seriam só os mercados.
A força de trabalho teria, assim, como válvula de escape dos rentistas, apenas uma apelação aos céus.
Numa é demais destacar que os bancos (de onde vem quase todos presidentes do BC) lucraram no ano passado (os cinco maiores bancos) a soma de R$ 107,5 bilhões.
Enquanto sobraçava no Brasil o exército de 33 milhões de famélicos.
Campos Neto quer mais.


