Quando o leitor debruçar os olhos sobre este artigo (disponível por volta das 6 da matina) muito provável terei percorrido 30 km da minha 10ª romaria ao Santuário de Nosso Senhor do Bonfim. O acaso (ou destino) fez coincidir o 7 de agosto de 2019 com o 7 de agosto de 2010 da primeira romaria. Saio sempre na quarta anterior ao grande dia 15 de agosto.
É uma caminhada de duas centenas de quilômetros que já fiz em oito dias e agora já a desenvolvo em parcos quatro dias e meio. Há seis anos tenho como parceiro uma espécie de quilombola: Manoel Tavares. Das areias do Jalapão e "da Ponte Alta".
Manoel preocupa-se com a idéia de que algum dia eu decida, sem mais nem menos como Forrest Gump, a não mais caminhar. Trouxe dos bisavós, avós e pais a busca por Bonfim e certamente só vai parar quando morrer ou o peso da idade não mais o permitir andar. Hoje entendo e compreendo o que dizia-me do alto dos seus quase 70 anos, na primeira romaria que fizemos juntos: chega janeiro e Nosso Senhor do Bonfim já nos chama.
Descobri que romaria é um sentimento solitário mas que não se faz sozinho. É um mundo disforme, de fundo negro e solitário. Misturam-se medos, anseios, dores e desgaste físico. É como se necessitássemos dia e noite na estrada anular, com o sentimento do outro, nossas fraquezas e nossas necessidades espirituais que nos empurram na caminhada.
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