O Ministério Público fez circular nesta quarta que peticionou (numa ação civil pública) para que o governo seja intimado sobre o descumprimento de acordo judicial para doação de área destinada ao Hospital Municipal de Palmas.
Procurada, a Secretaria de Comunicação do governo preferiu criticar o nível de jornalismo (de divulgar o texto do MPE).
“Se ficar nesse nível não tem retorno”, devolveu ao blog no watShapp o secretário Márcio Rocha na manhã desta quarta, sem explicar o que seria este retorno.
A reação (nem a situação) não é nova. O MPE é um poder como o Executivo e não tem que pedir autorização ao governo para divulgar suas ações de caráter público. De igual modo que o Executivo publica suas ações.
Como é notório, o governador Wanderlei Barbosa decidiu entregar a área à prefeitura. Público. Não é o ritmo do processamento de sua vontade política na burocracia governamental que seria indicativo de negativa do Governo, como sugeriria a ação do MPE.
Não haveria sequer motivação política para o atraso que pudesse sustentar outra suposta decisão do governo. A prefeita Cínthia Ribeiro não é candidata à reeleição e um hospital destes não seria construído no atual mandato para que ela usufruísse de algum ativo.
Aliás, área para o Hospital na cidade não falta. Seja do governo ou da prefeitura. O problema maior é o custeio. Ou seja, não basta a área. Tem que construir, equipar e contratar servidores.
Disto não se ocupou o MPE, mas deveria. Ao doar a área, o governo se compromete também com a viabilização do Hospital. Uma decisão política que, deduz-se, o governador já tomou, sabedor de todas as nuances da situação.
Esta semana, por exemplo, representantes da prefeitura estiveram em conversação com diretores da Universidade Federal do Tocantins. A ídeia é entabular um convênio que facilitaria a implantação do hospital. Uma espécie de hospital universitário.
Isto tudo aí a Secretaria de Comunicação do Governo poderia argumentar, numa eventual refutação da ação divulgada pelo MPE. Até mesmo que Hospital Municipal, como indica o nome, não é responsabilidade do governo estadual.
Ou seja, o governo de Wanderlei estaria fazendo mais do que sua obrigação constitucional. A buscar culpados onde existiria uma ação positiva de governo.
Mas se ocupou de semear adversidades contra o governo que vai muito bem, apesar de intercorrências tais. No jargão política, uma derrapada dado que o que de menos precisa Wanderlei Barbosa é de atritos onde vai bem.
Bastam os problemas pontuais que já enfrenta na administração herdados de outros governos.


