Duas notas partidárias que circularam neste sábado devem empurrar o grupo palaciano para o interior de uma crise antes mesmo de formalização da chapa majoritária e proporcional.
Na primeira, o senador Eduardo Gomes notifica sua mais que entrada no PL mas saída do MDB (ao contrário do sentido que dá à nota) para firmar-se parte do grupo representante atualmente do que considera construção de um modelo de gestão espelhado em Araguaína e Palmas. Ou seja, Ronaldo Dimas (ex mas administrada por quem elegeu) e Cínthia Ribeiro.
Na outra, os deputados estaduais Cláudia Lélis (PV) e Zé Roberto (PT) até então da base palaciana, assinam manifestação de apoio ao candidato da Federação (PV, PT e PC do B). Um apoio, convenhamos, obrigatório que dispensaria nota semelhante já que a decisão da Federação é de caráter nacional (vinculatória) e de competência da Executiva nacional decidir e não de parlamentares estaduais.
Se não apoiassem a Federação e seu candidato (que deve ser, a priori, Paulo Mourão que já discutiu esta semana até projeto de governo no Estado com o próprio ex-presidente Lula) seriam retirados da campanha por força da própria legislação. A verticalização não é algo que se pode acatar ou não, sem consequências.
Destas duas notas, se tem perdas no Palácio: ela descarta o apoio da prefeita Cínthia a Wanderlei Barbosa e sua aliança com Dimas (candidato ao governo) e Eduardo Gomes (pelas palavras da nota de Gomes). E, não menos explícito, o apoio de dois deputados governistas (Zé Roberto e Cláudia Lélis) ao candidato do PT, Paulo Mourão.
Wanderlei poderia tentar atrair Marcelo Miranda que decidiu disputar o Senado e ficou sem chapa. No grupo de Gomes, como era público, já se tinha a deputada Dorinha Seabra como o apoio tanto de Dimas como de Gomes. Marcelo não abriu mão do Senado. E o União Brasil (de Dorinha Seabra) com o fundo partidário, fundo eleitoral e horário de propaganda que tem não é algo a se desprezar numa eleiçao.
E agora, com a ida de Eduardo Gomes para o PL, se Marcelo mantém a hegemonia dos “autênticos”, fica sem cabeça de chapa. Para não ter que sair com uma chapa sem cabeça (a camarão) e não prejudicar os candidatos da proporcional, terá que compor com um cabeça de chapa para que o partido (que perdeu dois deputados estaduais esta semana) saia com um grupo competitivo.
Só que do lado de Wanderlei, ele próprio fechou negociações neste campo (Senado) ao declarar antecipadamente que seu candidato ao Senado é a senadora Kátia Abreu. Para Marcelo compor com Wanderlei, assim, o governador teria que rifar Kátia (já há deputados querendo isto).
E Kátia rifada, tudo mundo sabe o que dela se pode esperar quando acuada ou traída politicamente. Passivo que talvez fosse mais fácil de ser administrado não tivesse Wanderlei metido os pés pelas mãos no anúncio antecipado.
Sobrará a Marcelo, portanto, outro adversário de Wanderlei Barbosa: o petista Paulo Mourão que foi líder de Marcelo no Legislativo e também secretário no governo do emedebista.
Uma chapa Mourão/Miranda levaria, pelas projeções atuais e fundadas na porcentagem de votos dos dois partidos nas últimas eleições, o petista e o candidato de Jair Bolsonaro (Ronaldo Dimas) para o segundo turno, deixando Wanderlei no meio-fio. Isto porque Dimas é do PL de Jair Bolsonaro e o apoio de Wanderlei no grupo vem do centrão (do PP de Ciro Nogueira e Kátia Abreu).
Bolsonaro precisaria do centrão na pauta do Congresso. Azeitado com as emendas de relator, Bolsonaro os teria remunerado antecipadamente e o mínimo que podem fazer, agora, para ver emendas liberadas é, senão apoiar, pelo menos não atrapalhar os candidatos do Presidente nos Estados.
E no Estado não se viu Bolsonaro manifestando, mesmo que indiretamente, apoio a Wanderlei que já anunciou Kátia como sua candidata ao Senado e que foi incensada pelo próprio Lula também como sua candidata. Eleita, é tida como da base de Lula no Senado. A chapa de Ronaldo Dimas não carrega essa constante supostamente anti-bolsonarista aos olhos do Presidente.
Kátia como é sabido foi Ministra da Agricultura do governo petista (Dilma Roussef). E perdeu a CNA porque defendia Dilma, divisão que terminou levando o agro a apoiar em sua quase maioria Bolsonaro contra Haddad. Mais não bastasse, disputou contra Bolsonaro e 2018 como vice de Ciro Gomes.
Jair Bolsonaro e Lula, buscando congressistas e governo, já se mobilizam neste sentido. Muito demonstrado no esforço de Lula por Paulo e na estratégia de Bolsonaro pelo candidato de Eduardo Gomes, o ex-prefeito Ronaldo Dimas.
Não à toa, ao invés de colocar Gomes em um Ministério, onde teria uma agenda não só política mas essencialmente administrativa, despachou o Senador (que é líder de seu governo no Congresso) para fazer palanque no Estado.
Joguem suas fichas: Wanderlei tem o governo, é esperto nas negoiações políticas, mas esta armadilha que ele próprio deixou prosperar contra si (com ações e omissões) desenham algo que talvez seu grupo não aceite: um segundo turno entre Dimas e Paulo, Bolsonaro e Lula.
Se aceitassem, poderiam tentar reverter o quadro com mudança de estratégia e ciscar para dentro. Mas o que se vê é que, até para montar a chapa majoritária, tem sido pressionado (e não repelido) a perseguições políticas na administração, antes mesmo de se ter montado uma chapa oficial.
Mas há ainda muito chão até 2 de outubro.


