A demonstração pública do secretário de Agricultura, César Hallun, de que pode disputar a prefeitura de Araguaína (no Portal CT, do jornalista Cléber Toledo) no próximo ano, ainda que já esperada por força do fluxo político natural, despeja água na fervura do atual prefeito Ronaldo Dimas.
E, na prática, sela seu destino à oposição a Mauro Carlesse. Ainda que o prefeito mantenha o método de prática política do nem lá nem cá, pode ser uma estratégia contraproducente diante do modo assertivo do Governador.
Diferente de Dimas, Hallun permaneceu na base do Palácio, integrante que era da chapa majoritária do governador. Dimas, como é público, no meio do processo eleitoral trocou Hallun por Irajá Abreu, justificando dívida com Kátia Abreu que disputou as eleições contra Carlesse. Irajá era da chapa de Marlon Reis, contra Carlesse. Não seria muita coisa não fosse Araguaína o segundo maior colégio eleitoral do Estado.
Mais recentemente, Dimas atropelou o comando da sucessão governista ao apresentar-se como candidato ao governo e por partido oposicionista a Mauro Carlesse, o Podemos, que estava na chapa de Carlos Amastha em 2018. O movimento impeliu Carlesse a abrir a possibilidade do suplente Lázaro Botelho (adversário de Dimas no protagonismo do colégio eleitoral) assumir vaga na Câmara dos Deputados.
Dimas tem outro problema: para colocar o filho, deputado federal Thiago Dimas, candidato a prefeito (e este parece ser o projeto natural), tem que renunciar em abril. O vice, Fraudneis Fiomare, apoiou César Hallun em 2018. Não conseguiu, em dois mandatos, firmar novas lideranças que não o projeto pessoal de eleger o filho federal, com 38,77% dos votos da cidade e a maior votação para deputado do Estado.
César Hallun (que já foi prefeito de Araguaína entre 93 e 96) pode ter perdido a eleição a senador pela mudança repentina de Dimas para as bandas de Irajá. Hallun é o responsável pelos recursos da maior obra de Ronaldo Dimas na cidade, seu cartão postal político, a Via Lago.
E sentiu-se traído por Dimas porque entendia que o prefeito retribuiria seu esforço na Câmara dos Deputados para auxiliá-lo viabilizando recursos para sua administração e que terminaram enchendo de votos as urnas de Irajá que, como J.Pinto Fernandes (do poema Quadrilha, de Carlos Drummod) não tinha entrado na história.
O resultado das eleições de 2018 não deixa margem para dúvidas. Hallun obteve 24,64% dos votos de Araguaína para Senador. Irajá Abreu (que não tinha qualquer projeção na cidade) saiu com 14,45% dos votos garimpados, é dado inferir-se, por Dimas. No Estado, Hallun obteve 14,45% dos votos, apenas dois pontos percentuais abaixo dos 16,82% dos votos de Irajá em todo o Estado.
Com Hallun, portanto, as eleições de 2020 em Araguaína serão uma prévia das eleições 2022 no Estado. Isto porque Kátia Abreu e Irajá Abreu podem querer retribuir a Dimas o apoio de 2018. E os Abreu, com pouca margem de erro, não tem lugar, nas atuais circunstâncias, no movimento palaciano.


