O MDB decidiu marcar sua convenção para a próxima terça, dia 15. O partido continua embalado em poesia: 15 é o número da legenda.
No partido, até aqui, tem prevalecido tanto o seu ethos como o pathos. Não se pode dizer que, sob sua natureza, não seja coerente.
Pode definir-se na terça pela candidatura do deputado Valdemar Junior. Uma proposição que não faz muito era, por motivos óbvios, rechaçada pelo parlamentar mais preocupado com sua reeleição no Legislativo do que com as conhecidas intrigas internas emedebistas.
E continua tendo motivos para tal. O MDB apostou na candidatura de Raul Filho para não conceder, tudo indica, protagonismo político a emedebista fora do circuito MMDD (Miranda/Marcelo/Dulce/Derval). Nilton Franco foi um ponto fora da curva justamente porque não os ameaçava. Ficou no comando regional até o grupo achar que precisava.
Valdemar, ainda que presidente metropolitano (e considerada cria dos Miranda) defendia abertamente (nos bastidores) uma composição com Cínthia Ribeiro. O MMDD queria Dulce, impossibilitada pela cassação e prisão do marido. O lance de Raul foi apenas para passar o tempo. Sem Dulce, nada feito.
Nada mais sintomático que, na mesma semana, Marcelo Miranda decida-se por retomar o comando do partido no Estado, elevando, evidentemente, na sigla, o ativo da deputada federal.
Teve a seu favor a questão Raul (desistência imposta pela lei) que provocou a necessidade de juntar o partido, com a conclusão de que o MDB, então, não teria candidato competitivo fora do grupo, como de fato pode ter sido planejado. E Marcelo (mesmo com prisão e cassação) é ainda a maior liderança do partido no Estado.
Valdemar, assim, pode ser referendado justamente porque não tem capilaridade política (nem recursos financeiros) para bancar uma campanha. Sem condições de competir igualitariamente com os demais adversários. Ou seja, não leva perigo ao protagonismo do comando. E o MMDD está com bens bloqueados e sob escrutínio diuturno da Justiça Federal.
O deputado pode ser, com efeito, o candidato talhado para perder. Pode até avaliar ganho em função de, candidato, esquentar seu nome para daqui a dois anos. Mas pode atrair também os desgastes.
E o MDB seguirá ereto sob os princípios do irisrezendismo decadente.


