O deputado Arthur Lira deve ser reeleito presidente da Câmara dos Deputados esta semana (quarta). Tem o apoio dos bolsonaristas, do PT de Lula e até do PSOL. No Estado, da unanimidade dos deputados federais.
Afinal, o alagoano continuará mandando no orçamento federal, apesar dos parlamentares terem garantidas constitucionalmente as emendas impositivas e transparentes justamente para exercerem suas competências constitucionais e parlamentares com independência. No popular, sem toma-lá-dá-cá.
Obviamente que as mesmas razões que o PT e seus tributários teriam no presente para se opor ao retrovisor, são idênticas – ainda que com sentido contrário - às que os fazem não resgatá-las do pretérito agora no exercício do governo, negando-lhes, pragmaticamente, sua existência.
A justificativa para a aposta em Lira - que contradiz peremptoriamente a retórica marxista – submerge, com efeito, princípios caros ao organismo partidário petista, que não são encobertos (ou negados) sob a arguição de prevenir-se contra o efeito Eduardo Cunha projetado em Arthur.
O atual presidente da Câmara, como é público, engavetou mais de 140 pedidos de Impeachment de Jair Bolsonaro, requeridos pelos fatos que, agora, após a derrota do ex-presidente, jogam-no no calvário político, judicial e policial.
Eduardo, não atendido por Dilma Roussef, mandou para frente seu impeachment por muito, mas muito mesmo, menos razões que não teve Lira para engavetar o afastamento do ex-presidente, como era público antes como agora.
É, o pragmatismo do PT, portanto, valhacouto para as decisões da executiva regional petista para aderir ao bolsonarismo palaciano. A diferença é que lá, na Esplanada, Lula argui a necessidade de governabilidade e a prevenção contra ações de Lira.
No Estado, o PT, pelo contrário, não tem deputado federal, estadual ou senador que pudesse abrir baterias contra a administração bolsonarista de Wanderlei Barbosa. Um governador que tem praticamente a unanimidade do Legislativo estadual e da bancada federal.
Ainda assim o PT vai com tudo nos cargos públicos do Estado.


