A senadora Kátia Abreu, na disputa do Senado, pode ter sido, por vias tortas, a maior beneficiada das escaramuças da definição de chapas majoritárias. Observada a matemática e difusão do voto.
O voto de Kátia é definido de igual modo aos índices de rejeição identificados pelas pesquisas. Os eleitores que dizem votar em Kátia integram um grupo fiel ao seu jeito e que a aprovaria, enxergando nela princípios com que compactuasse.
Os demais candidatos, não. Buscam os eleitores que oscilassem entre rejeição e aprovação. De outro modo: Kátia teria alcançado o seu teto de rejeição, os adversários ainda estariam entrando posto desconhecidos, portanto não avaliados. Tem incertezas pela frente.
E Kátia os alimenta seguindo o clássico entendimento de José Ortega Y Gasset: “eu sou eu e minha circunstância”. Ou seja: não deixaria de ser justa, mas também de indignar-se, o que, do ponto de vista político-partidário, a levaria também a passivos não circunstanciais.
Diferente dos demais candidatos ao mesmo cargo que, se tem rejeição menor, não dispõem de eleitor disposto a enfrentar as mesmas dificuldades a cada quadriênio, iguais assédios e semelhantes argumentos para demovê-lo do voto na senadora.
Some-se a isto o ativo do segundo mandato da Senadora que foi neste período Ministra da Agricultura, aprovou o Código Florestal, derrubou a CPMF (foi relatora) e gerenciou a CNA que controla 30% dos empregos e do PIB nacional. E agora preside uma das mais importantes comissões do Senado (de Relações Exteriores).
Esse capital aí (eleitor fiel e expressão nacional) o PT trocou pelo empresário João Vilela (velho conhecido na Capital mas nunca eleito) e foi certo modo balançado pela estratégia equivocada do senador Irajá Abreu (seu filho) que, se tinha a intenção de ajudar a mãe, não precisaria bagunçar tanto.
Bastaria pronunciar-se lá atrás a favor da Senadora e levar publicamente a seu palanque os dois partidos nanicos que continuaram com sua candidatura ao governo.
Sem levantar na população suspeitas de que mãe e filho andassem brigados na política que, por lógica, levaria a uma família, no privado, por método mais que dedutivo, indutivo, onde um estaria tentando derubar o outro.
Como é, ainda, o senso comum das ruas.


