Sábado, 24 de Out de 2026

Metalinguagem do Somos que declara "apoio crítico" a Kátia. Coletivo parece querer coisificar os individuos e retirar-lhes o direito de afirmar suas identidades próprias. No popular, são arremedos de políticos reacionários e anacrônicos

07/09/2022 457 visualizações

Uma das reflexões de Kafka (A metamorfose) girava em torno da desidentificação e coisificação dos indivíduos nas redes obscuras.

Muita gente boa que busca representar a sociedade civil nesta (e em outras) eleição sequer sabe dos Josés K de Kafka que dirá do próprio Kafka e as circunstâncias que o fizeram ser o “Kafka”.  

Quando mais perceber que suas tendências identificantes negariam aos indivíduos o direito de afirmar suas identidades próprias.  Pelo que dizem querer e negam acintosamente, deveriam.

Não é, portanto, casual que o Coletivo Somos tenha, a 25 dias das eleições, optado por trocar Carlos Amastha por Kátia Abreu. É movimento de causa explícita e não negada desde o princípio e princípios.

Para vincular as idéias sem vinculação, o Coletivo justifica que é um apoio crítico. É o linguajar da embromação porque em política (e em qualquer situação) os apoios ou adversidades sempre serão críticos por representarem escolhas entre um e outro.

E aí entra A metamorfose de Kafka que apontava a coisificação dos indivíduos, negando-lhes o direito de afirmar suas identidades próprias. No caso, inteligíveis e sensíveis seriam atributos válidos apenas se certificados pelo Somos. Não mais.

No popular, o Somos é uma abstração que a militância da imprensa amplifica como partido. E os seus integrantes como fundo de comércio.

Na Capital, ascenderam ao cúmulo ao reivindicar, o movimento, tomar posse na Câmara quando mandatos, pela lei do país, são individuais. E sem partido não há candidatura

Divisão de salários, empregos e verbas de representação quando não um rodízio nas tetas públicas. E que se note: não é uma jaboticaba apenas nossa.

Se Kátia Abreu ganhou mídia com o apoio, os candidatos que se dizem ligados ao Somos mas filiados ao partido (PSB) de Carlos Amastha podem, pela lei, ser retirados da propaganda eleitoral e dos recursos do fundo partidário. Podem até ficar sem legenda.

Seria como o deputado Vicentinho Junior, candidato à reeleição e filiado ao PP de Kátia Abreu decidisse dar um apoio crítico à deputada federal Dorinha Seabra ou ao próprio Amastha.

Desligados da ética e moral partidária e dos seus próprios princípios, o Somos, entretanto, paga de bacana e sai por aí com o "apoio crítico" a Kátia Abreu.

Mas financiado pelo PSB que faltando quatro semanas para as eleições, decidiram repelir e expurgar de sua pauta coletiva da moralidade e da ética própria e particular.

E querem que se os levem a sério. Um movimento social que amplifica ser, a decisão coletiva de apoiar Kátia contra Amastha, um modo diferente de "fazer política". Entenderam o ganha-ganha?

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