Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Metafísica da lei da mordaça: delegado que atirou no governo nas redes sociais contra medidas previstas no CPC e nos Estatutos, antecipa, no mesmo meio e no exercício do cargo, sua postulação eleitoral!! Bingo!!

luizarmandocosta 05/08/2019 835 visualizações

Por que não me surpreende a admissão do delegado Hudson Guimarães (da turma delegados do  #mereceflagrante) de interesse em disputar a prefeitura de Palmas no próximo ano (garimpada pelo jornalista Lailton Costa/Antena Ligada/Jornal do Tocantins nesta segunda)?

Evidente que a partir dessa declaração o delegado já poderá ser considerado suspeito. Especialmente em investigações de acusados integrantes de outros grupos políticos dos quais seu partido (o Novo) é adversário. E ele não economiza críticas na sua rede social.

Apesar disso, o delegado recebeu nota de apoio da associação dos delegados quando era flagrado descumprindo o Estatuto dos Policiais Civis, Estatuto do Servidor Público e, não raro, do Código de Processo Penal ao desancar acusados nas redes sociais, inclusive o governo.

Quando a Corregedoria abriu sindicância (depois engavetada), a "Força Tarefa" dos delegados, não sem o apoio da mídia, apontou censura!! Como se delegado pudesse sair por aí comentando sobre investigações que presidisse as redes sociais.

É possível deduzir, a partir da precipitação eleitoral do delegado (ainda no exercício do cargo e contra a legislação que obriga o afastamento de policial civil e militar quatro meses antes do pleito para campanha) que as acusações públicas ao governo faziam parte de uma plataforma política.

O cidadão com direitos políticos preservados, tem prerrogativa de se candidatar a qualquer cargo. O que não pode é fazer uso do cargo que ocupa, pago com recursos públicos, para fazer campanha política.

O delgado que assumiu a possibilidade de disputar mandatos não está só. Muitos outros aí dessa tal Força Tarefa o seguirão. Impulsionados pela criatividade da abstração (e metafísica) da lei da mordaça que, curioso, deu voz ao proselitismo político, a verdadeira finalidade do campo de batalha que criaram em torno do governo.

Nada que não venha apontando nesse blog desde o início. Não por premonição mas porque eles agem de forma tão primária e até primitiva que, mantendo a estratégia e o modus operandi certamente serão atropelados pelos políticos de profissão. E que aí sim poderão manipular investigações com a expertise técnica dos novos parceiros.

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