O modo como os políticos reagem aos fatos pode causar efeitos diverso do esperado na sucessão de 2022.
Enquanto o país se condoía do meio milhão de mortos pelo Covid-19, Jair Bolsonaro optava por ridicularizar o um milhão de pessoas (conforme os organizadores) que foram às ruas no mesmo sábado protestar contra o genocídio em larga medida promovido pelo negacionismo do governo federal.
Em sentido contrário, o governador Mauro Carlesse (que preside o PSL ainda ligado às franjas bolsonaristas) solidarizava-se com as famílias das vítimas e lamentava a tragédia das mortes e da falta de vacinas.
Se Bolsonaro era levado a explicar-se por exposição de camiseta em Marabá (650 km de Palmas) com inscrição Jair Bolsonaro 2022, num evento público para o qual se deslocou com recursos públicos, no mesmo dia em que o país contabilizava 500 mil mortos do Covid, numa campanha eleitoral antecipada na mais deslavada cara de pau, o mesmo infrator zombava do Ministério Público Eleitoral e suas multas.
Em evento transmitido em tempo real pela TV pública oficial, TV Brasil.
No Estado (como na maior parte do país) não se viu até agora o Governador, funcionários públicos ou parlamentares em acintosas campanhas eleitorais antecipadas. Se deslocam apresentando suas propostas à população sem pedirem votos ou exibirem números de campanha de partidos, porque sabem do rigor da Legislação e do Ministério Público Eleitoral.
Conclusão óbvia: sem enfrentar resistência adequada da sociedade política ou civil, Jair Bolsonaro vai cumprindo o seu papel sombrio de relativizar as regras, a lei, os costumes, os valores, a ética e a moral. Que vai desbancar, lógico, num regime absolutista onde a palavra que garantirá a morte ou a vida é do rei.
A situação como que aponta um limite na relação de Mauro Carlesse e Jair Bolsonaro. De que é prova inconteste a intervenção no PTB regional, que era comandado por aliado do governador e ser colocado à frente do partido um empresário cujo maior expressão política de que se tem conhecimento é sua profecia nas redes sociais: “Filho de Deus, Brasil, Japão e do Tocantins! “
Mesmo PTB que tem um presidente (Roberto Jeferson) defensor do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Após ser condenado e preso por sete anos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. E agora se desloca com um novo partido que ele diz não ser mais trabalhista: mas conservador e cristão.
Pronto: trabalhador para ser filiado ao Partido Trabalhista do Brasil tem que ser cristão e conservador!!!
É provável que político com um pouco inteligência procure mais se afastar do que aproximar-se de Jair Bolsonaro. Ao contrário do que as expectativas faziam crer meses atrás.


