O MDB no Estado segue como carrapeta, rodando sob o seu próprio eixo. A ano e um mês das eleições, dois potenciais governadoriáveis (Eduardo Gomes e Marcelo Miranda) emprestam ao partido a perspectiva estética de um pé de dança outro de cantiga muito embora a valsa seja a mesma.
Enquanto Marcelo Miranda e os seus faziam ontem proselitismo na região Norte e Bico do Papagaio, Eduardo Gomes e a “companheirada” dava sequência em Porto Nacional às reuniões políticas que tem empreendido nos últimos meses.
Muito embora o espectro da ação convirja para as mesmas finalidades, tática e estratégia empregadas buscam demonstrar que o que se vê não é o que deveras o campo de visão deveria destacar, ainda que iluminado pela surrada negação afirmativa: não são candidatos, a militância, o partido e o “povo” é o que o dirão.
Confrontadas as circunstâncias políticas de um e de outro, é indiscutível que Gomes teria, hoje, maior musculatura eleitoral, mais ativos e menos passivos que Marcelo. Mas o MDB dos Miranda não pensa em abrir o partido para novas lideranças.
Não está só no Brasil, que o digam Jáder Barbalho, Renan Calheiros, Michel Temer, Iris Rezende, Eduardo Braga, Fernando Bezerra ou José Sarney, velhos novos coronéis da democracia. O tal centralismo democrático que, no PT, foi tratado como princípio arbitrário.
O ex-governador, entretanto, é, na Justiça Eleitoral, reincidente, vem de duas cassações no cargo e enfrenta processos na justiça federal por desvios de recursos públicos nos seus governos. O período de seis meses atrás das grades é um fardo e tanto. Como Lula (também pré-candidato) deixou a prisão por equívocos processuais do Ministério Público e da JF. Mas o mérito ainda está aí.
Mas no MDB fia-se ainda que 30% dos votos do Estado seriam direcionados ao partido. Situação que não é demonstrada pelos fatos. Na última eleição estadual (2018), o partido (junto com PSB / PSDB / PR/ PODE / PSC) apoiou Carlos Amastha que foi derrotado por Mauro Carlesse 57,39% a 31,19%
No seu círculo periférico acredita-se que tem, paradoxalmente, no que o aproxima de Lula na questão judicial, ganho para dar à sua pretensão (que já declarou publicamente e agora tergiversa) maior substância para encabeçar a majoritária. Ambos seriam vítimas. Desde que, óbvio, supere, na direção regional do PT, a pré-candidatura já colocada do ex-deputado Paulo Mourão.
Ainda que apresente-se mais leve e com maior densidade eleitoral (e dimensão política), Eduardo Gomes também não anda comendo mamão com açúcar. Líder do governo no Congresso, depende diretamente da reversão do quadro de Jair Bolsonaro.
Pode, lógico, sair candidato assim mesmo (é só mudar de partido/majoritários não são impedidos pela lei partidária), mas sabe que com o apoio de Mauro Carlesse (como candidato do Palácio) terá maiores chances de eleger-se governador.
E aí seu maior aliado é deixar correr o tempo e não fazê-lo passar mais rápido, esperando a não viabilização do presuntivo candidato do Palácio, Wanderlei Barbosa, que pode ser confrontado com o resultado de passionalidades não administradas politicamente que terá que, certamente, cuidar para não inviabilizá-lo, dado ter demonstrado, até agora, singular capacidade de articulação.
Contrariando a regra e acelerando as reuniões nos municípios, intui-se que Gomes viu duas coisas: a necessidade de ir a campo. E que o campo estaria aberto no Palácio e fechado no MDB.


