Sexta-feira, 23 de Out de 2026

MDB com sua capilaridade no Estado e fundo de campanha aparenta ser a "noiva" cobiçada nas eleições municipais! Seus dotes, entretanto, podem levà-lo à independência atrativa e não de puxadinho

19/08/2023 1263 visualizações

O MDB faz convenção neste sábado em Araguaína para renovação do diretório municipal. A cidade, nunca é demais lembrar, é o segundo maior colégio eleitoral do Estado com 112 mil eleitores.

Marcelo Miranda (ex-governador por três mandatos), cujo mandato de presidente regional da legenda segue até maio do próximo ano, tem presença confirmada.

O MDB é o partido que tem o maior número de filiados (militância) no Estado: 30 mil e 714 (TRE deste sábado). Vem a ser quase o dobro dos 17.915 do PT de Lula e dos 17.741 do PP bolsonarista.

E em 2024, não menos relevante, o MDB terá mais recursos de campanha do que os R$ 266 milhões (no país) que teve direito em 2022.

No ano passado, o MDB tinha 34 deputados federais, eleitos em 2018. Este ano, a bancada do partido na Câmara dos Deputados (critério para distribuição de fundos de campanha) aumentou.

Foram eleitos em 2022 nada menos que 42 deputados federais. Ou seja, 24% de grana a mais para fazer campanha eleitoral nos municípios.

Municípios em que o MDB do Estado saiu nas eleições de 2020 (última eleição municipal) com 136 mil votos/16,31%). A maior votação partidária para prefeito no Tocantins.  

O segundo foi o Solidariedade (121,9 mil votos/15,09%) e o terceiro o PSD (87,1 mil votos para prefeito/10,79%). O Republicanos (hoje comandado pelo governador) teve apenas 18 mil votos (2,24%) naquelas eleições.

Hoje o MDB diz contabilizar no Estado 12 prefeitos e duas centenas de vereadores com mandato. Significa que demais partidos com ativo e envolvimento nacional não estão a cavalheiro para as eleições de 2024, uma prévia da sucessão estadual de 2026.

O eleitorado do MDB tem lá suas especialidades e especificidades que remontam, ainda, à antipodia entre UDN/PSD ou Arena/MDB e que por aqui foi traduzido entre MST e UT.

Ou seja, a redemocratização do país (1.985) retornou o pluripartidarismo, mas no Tocantins propagou-se uma espécie de bi-partidarismo híbrido: dois partidos formados por várias legendas partdárias.

Marcelo Miranda foi eleito senador em 2010, um ano após ser cassado do cargo de governador (TSE barrou a posse, por lógico) depois de ser reeleito chefe do Executivo estadual.

E, apesar da cassação, foi novamente eleito para governador em 2014 contra nada menos que Siqueira Campos, a quem o MDB havia derrotado em 1.990 e 2006.

De outro modo: o MDB, apesar dos pesares, não é força política a ser desprezada. Sua proximidade com Wanderlei Barbosa não é descartada.

Marcelo gasta, assim, o calendário eleitoral para organizar diretórios e comissões provisórias. E disseminando que é independente, faz uma oposição construtiva e não radical ao governo e tem bom relacionamento com o Palácio Araguaia. “E torcendo para as coisas darem certo para o governo”, salientou na noite de ontem um dos membros da Executiva estadual do partido.

Aliás, para quem não sabe, o ex-prefeito de Palmas, Fenelon Barbosa, pai do governador Wanderlei Barbosa, quando foi defenestrado políticamente por Siqueira Campos, encontrou abrigo foi no MDB que lhe deu legenda para disputar um mandato de deputado estadual. Relação ainda hoje lembrada e relembrada.

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano