Sexta-feira, 23 de Out de 2026

MDB "autêntico" e Eduardo Gomes no secretariado de Mauro Carlesse: dois pesos e duas medidas ou um peso e duas medidas

luizarmandocosta 16/07/2019 817 visualizações

"Não fomos comunicados de nada, a indicação do Senador é uma decisão pessoal". A expressão é de um dos membros da direção regional do MDB ao blog na noite de ontem sobre entrada do senador Eduardo Gomes no secretariado do governador Mauro Carlesse, adversário dos emedebistas desde quando presidente do Legislativo estadual.

Para ele (que já havia conversado com parlamentares do partido), a legenda respeita o Senador mas irá se reunir para discutir que posição será tomada. "O MDB não é governo, não apóia o governo", reiterou o dirigente para quem a decisão de Gomes pegou de surpresa o partido.

"Nâo indicamos secretário nenhum, não é indicação do partido, é uma decisão pessoal", repetiu. "Ele poderia simplesmente sair de licença para Siqueira assumir, sem precisar tomar posse na secretaria do governo", raciocinou apontando o viés partidário e os óbvios desdobramentos da decisão.

Evidente que o senador Eduardo Gomes é mais  peessedista. que udenista. Mais Vargas que Lacerda, mais Sarney que Ulysses. O MDB, certamente, sabia disso quando o aceitou em suas fileiras. Ainda que a decisão de aceitar o cargo tenha sido só mero arranjo para posse de Siqueira, mas também ele próprio de origem no PSD.

A movimentação suscita pelo menos um conflito: a senadora Kátia Abreu foi expulsa do MDB porque não concordou com algumas decisões do presidente Michel Temer e um dos processos fora provocado pelo então ministro Gedel Vieira Lima. Ambos amargaram a prisão. Kátia fora contra decisões do MDB.

Em sentido inverso, o senador Eduardo Gomes faz o mesmo: filiado ao MDB, assume uma secretaria de um governo adversário eleito basicamente tendo um discurso contrário ao MDB e fundado, em larga escala, nas críticas a Marcelo Miranda. De outro modo: contraria as orientações do MDB

Mauro Carlesse e Wanderley Barbosa operaram no Legislativo uma intervenção branca no Executivo do MDB. Apenas fazendo uso do processo legislativo, ainda que cometendo, em determinados casos, inconstitucionalidades incontestes.

As consequências políticas da ida do senador Eduardo Gomes são indiscutíveis. O problema agora está é no MDB: se aceita ou não, como o fez, não sem uma retórica ufanista e principial dos tais autênticos com Kátia Abreu.

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