Sábado, 24 de Out de 2026

Marqueteiros de Wanderlei empurram governador a uma cilada: oposição desejaria demitir 16 mil pais de família comissionados quando denuncia diz respeito a causa e não consequência. Não explicam, porém, como ficariam os demais 600 mil desocupados no Estado

25/09/2022 758 visualizações

O governador Wanderlei Barbosa saiu-se ontem com o discurso de que sua oposição estaria defendendo a demissão de 16 mil pais de família. Fico a imaginar Ronaldo Dimas, Paulo Mourão ou Karol Chaves nos palanques: temos que demitir!! Demissão já!!! Fora!!! É comissionado contratado por Wanderlei???? Rua!!!!!!

Para os marqueteiros mequetrefes do Palácio, consequências  vem antes das causas. A oposição a Wanderlei tenta anular a sua candidatura de governador de porque vê crime eleitoral nas contratações promovidas por Wanderlei no cargo de governador. E não está nas petições o pedido de demissão dos contratados!!

O governador, entretanto, pode ter encontrado simetria – é o mínimo que se pode intuir - com o pensamento  fajuto e indecentemente eleitoreiro e mentiroso dos seus marqueteiros mas entre refutar, com responsabilidade, acusação nos comissionados, preferiu populismo barato, estabelecendo uma ilegítima correspondência entre emprego e governo.  

E isto ocorre à margem da razão e do bom senso, é porque haveria a obrigação da campanha de apelar abaixo da cintura. Indicariam os movimentos do eleitor que a situação de Wanderlei não estaria esta “coca-cola” toda. Ninguém sai com um discurso apelativo destes, mesmo tendo números positivos em mãos, a uma semana das eleições.

Esse marketing primário e primitivo não funciona mais, com efeito,  por não revestido de seriedade que os políticos transformaram em sinônimo de compromisso. E aí exercem um discurso contraditório: ainda que não sérios os argumentos e proposições (como é o caso dessa tese), exercem-nos como prova do respeito ao compromisso com o eleitor.

Governos não são feitos para gastar o dinheiro do contribuinte com empregos. O Estado, por exemplo, tem metade de sua população economicamente ativa (600 mil pessoas) fora do mercado de trabalho.

Desocupadas, ainda que no IBGE registre-se apenas algo em torno de 70 mil desempregados. Para as estatísticas, desempregado é aquele que estava trabalhando e ficou sem trabalho. E não o total que está sem ocupação.

Na plataforma dos marqueteiros de Wanderlei, na falta de emprego, o governo deveria empregar esse total aí. Como não pode, emprega os milhares de comissionados, à régua de suas discricionariedades.

Os inteligentes do Palácio Araguaia poderiam reafirmar que a ação do governo nos empregos (como está na Constituição) é apenas fomentá-lo por intermédio de investimentos e atração de empresas (com benefícios fiscais).

E nisto, o governo Wanderfei investiu de janeiro a agosto deste ano duas vezes mais que Mauro Carlesse no mesmo período do ano passado. Wanderlei realizou este ano R$ 776 milhões de investimentos contra R$ 448 milhões de Carlesse nos dois primeiros quadrimestres de 2021. Dados púbicos nos balanços publicados no Diário Oficial.

Na outra ponta, entretanto, abriu as pregas para os grandes empresários que tem, em média R$ 400 milhões de isenções fiscais ao ano e não entregam os empregos prometidos ao governo que também não os cobra.

Mas Wanderlei fica nessa como se estivesse disputando a eleição em Taquaruçu. Enquanto discursa fazendo chantagem com estes 16 mil que poderiam ser demitidos (e não o serão pelos motivos que você já leu aqui), se cala para críticas dos adversários.

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