Enquanto o marketing de Wanderlei Barbosa mente ao espalhar que oposição desejaria a demissão de 16 mil pais de família, o governo se fecha em copas para contrapor-se seriamente a críticas (legítimas) da oposição. Ainda que algumas sigam o padrão falacioso como tem se pautado o senador Irajá.
Numa delas, o Senador candidato do PSD apontou, em tom de denúncia, que o governo teria fechado 2021 com um superávit de R$ 1,7 bilhões. E que o governo não fez nada com este dinheiro. Os números não são bem estes (como o leitor já viu aqui quando publicados à sua época) mas próximos deles e da indiferença à exatidão com que o parlamentar tem se conduzido na campanha..
Ora, como o leitor do blog está “careca” de saber, essa disponibilidade de caixa (que não significa grana para gastar como sugere o senador), a maior parte dela (quase totalidade) foi entregue às secretarias de Saúde, Educação, Policia Militar, TJ, PGJ, Defensoria, TCE e que tais na forma de suplementação orçamentária, como também está nos Diários Oficiais.
Além do mais, sem essa poupança o governo não teria saído da Letra C para a Letra B da Capag (Capacidade de Pagamento da STN). Uma cobrança que é feita, por razões indiscutíveis, pela oposição aos governos há mais de uma década.
Dados publicados na Capag da Secretaria do Tesouro da União (esta semana) que senadores e deputados federais tem a obrigação de conhecer e demonstrá-los à população. Tanto quando representarem demonstração de eficiência administrativa e fiscal quando de sua ineficiência.
Do 3º quadrimestre de 2021 (dezembro) ao 1º quadrimestre de 2022, o governo elevou as disponibilidades de caixa de R$ 2,6 bilhões para R$ 3,5 bilhões (dados da Secretaria do Tesouro Nacional e dos balanços regionais).
Com isto, o governo aumentou sua liquidez para a letra A. O índice é o que verifica se o ente tem volume de recursos em caixa suficiente para honrar as obrigações financeiras já contraídas. Justamente o índice que levava o Estado para a letra C.
Ou seja, o aumento das disponibilidades de caixa (o lucro sugerido pelo senador), melhorou a liquidez. Se em 2021, o Estado fechou na letra C na liquidez (obrigações financeiras/disponibilidades de caixa) com 153,79% - fechou em junho/2022 com na letra A com 55,33%. Ou seja: de gastando 53,79% de gastos obrigatórios além das disponibilidades, passou a gastar apenas 55,33% das disponibilidades. Um avanço considerável em seis meses.
O blog mostrou em primeira mão aqui ao leitor o ofício da STN informando a melhora. Coincidentemente, justamente no dia do debate dos candidatos na TV Anhanguera. Os candidatos deitaram lenha em Wanderlei sobre a Capag sem conhecer os números do governo e sua certificiação pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Até os marqueteiros mequetrefes subestimaram a informação, tanto que Wanderlei (que dela sabia) a mencionou "en passant". Assessores do Governador que o acompanhavam no debate sequer sabiam o que era Capag. E os candidatos ao governo negaram a validade do documento refutando que não estaria publicado.
Ou seja, o ofício não valeria nada. Pronto!! Como se governos saissem por aí falsficando ofícios da Secretaria do Tesouro Nacional, agora atualizado no portal como já se pode ter acesso esta semana e é reproduzido aí em cima. Mas se os marqueteiro de Wanderlei não fizeram sequer uma "colinha" sobre o número de secretarias para o governador responder, esperar o quê?
No período, entretanto (dezembro/21 a junho/22) o governo Wanderlei aumentou também a poupança corrente, reduzindo o percentual de gastos das despesas correntes em relação à receita corrente ajustada. Em dezembro passado o índice levava o Tocantins à letra B, com as despesas correntes representando 94,60% da receita corrente. Fechou junho deste ano novamente na leta B, mas com um índice de 91,46%. Ou seja, despesa comprometendo menos da receita.
No endividamento, manteve-se na letra A. Era de 59,26% (DCL/RCL/2021) e hoje é 46,36%) o comprometimento da receita corrente líquida com a dívida consolidada líquida. Todos os índices combinados, o Estado está na Leta B, depois de quase uma década na Letra C.
Mas o Palácio foca é nos 16 mil que diz a oposição querer demitir. Uma inversão de valores e conceitos.


