A inexistência de reação política do MDB à prisão de sua maior liderança no Estado, ex-governador Marcelo Miranda (atual presidente do diretório regional), decorridos cinco dias de seu encarceramento, dá bem mostras do isolamento a que, na prática, Brito Miranda e Marcelo (por intermédio de Derval de Paiva, decano na presidência da legenda), se sujeitaram com o centralismo elaborado dentro do partido.
Não há qualquer posicionamento político de deputados, prefeitos ou vereadores de defesa do ex-governador emedebista e que governou o Estado por quatro mandatos. Dois deles interrompidos por cassações. Deputado estadual por três mandatos e por duas vezes consecutivas presidente do Legislativo estadual.
Com efeito, nos bastidores do MDB tem prevalecido, nestes dias, a exposição tímida de mágoas com Marcelo, Brito e Brito Jr. pelo tratamento que concediam aos emedebistas e aliados. Muitos deixando de lado o MDB para queixar-se dos três que, paradoxalmente, colocaram no poder por quatro eleições.
Na verdade, não é uma reclamação recente essa de que Marcelo e Brito não atendiam as lideranças a contento nos seus governos. A corda só pendia, conforme líderes, para o lado da família.
Em determinados momentos dos governos Marcelo Miranda era nítido o domínio de Brito Jr. na administração pública nas nomeações de secretários de pastas endinheiradas e do publicitário seu amigo, que não tinha pejo de coordenar reuniões de secretários em Goiânia ou DF ainda que servidor público não fosse. O arquivo do blog está aí.
Considerando em investigação pela Justiça Federal de ilegalidades que teriam sido praticadas no governo do MDB, natural que houvesse reação política dado que estivesse em jogo o futuro do próprio partido. E que com a prisão de Marcelo e Brito se apresenta comprometido. As mágoas parecem revelar outra realidade: o maior líder do partido estaria só.
Especialmente porque a direção partidária preocupou-se mais nas últimas três décadas em ter o MDB como um latifúndio pessoal que formar uma agremiação, com a renovação de lideranças e projeção de mudanças que oxigenassem o seu projeto político partidário.
O MDB, neste aspecto, em nada diferencia do siqueirismo - que considera retoricamente antagônico - no centralismo democrático com viés autoritário. Parecem disputar até mesmo o protagonismo dos desvios de recursos públicos. O resultado é que ambos (envolvidos até o pescoço nas operações da Polícia Federal. Ministério Público Federal e Justiça Federal) olham agora para dentro ou para o lado e devem estar se perguntando: quem vai continuar!!!!


