Sábado, 24 de Out de 2026

Marcelo decide apoiar Kátia mas mantém-se no palanque de Dimas que tem seu próprio candidato ao Senado: Amastha. Eleitor que se vire para separar alhos de bugalhos

15/09/2022 764 visualizações

A aliança firmada ontem entre a senadora Kátia Abreu, Marcelo Miranda e Dulce Miranda (com o aval dos órgãos do MDB e do PP) parece querer ser transformada, por ambas as partes, num reencontro histórico após “divergências, mas com carinho e respeito”, como citou Dulce Miranda. Ou no pedido de desculpas de Kátia a Marcelo.

Carinho e respeito certamente não foi aquele raio seguido de trovões e tempestade, dos dois lados, num domingo ensolarado na residência particular  do então governador eleito quando ainda se elaborava equipe de governo.

E o motivo não tinha nada de carinhoso: não cumprimento de acordos de campanha. Como o objeto era a coisa pública, os sujeitos atravessaram o samba com a inesperada antipodia passional e personalíssima antes mesmo de botarem a mão no governo, implicando em consequência nas lideranças que enfrentaram o siqueirismo para apoiá-los. E que ficaram a ver navios.

Consideração que certamente também não teve Marcelo em 2017 (acusado novamente e cassado em 2018) quando inverteu a história, dizendo que Katia só fora eleita (reeleita em 2014) por subir no seu palanque quando, na verdade, foi a senadora que garantiu não só sua candidatura, mas sua eleição ao governo vindo de uma cassação. Kátia pediria sua renúncia por omissão, três anos depois.

De forma que o pragmático apoio de ambas as partes hoje ganharia maior legitimidade e respeito se Kátia, Marcelo e Dulce, ao invés de se desculparem mutuamente, direcionassem seus arrependimentos aos eleitores e lideranças que neles confiaram em 2006 e 2014.

Uma movimentação que eleva o potencial de Kátia Abreu,não resta dúvidas, impulsionando-a a maiores probabilidades de reeleição,  dá mais tranquilidade a Marcelo pela reeleição de Dulce (um dos seus declarados e públicos propósitos republicanos, claro!) e o ajuda na eleição a deputado estadual.

E se isto ocorre e na forma corrente, suscitando interpretações diversas da fotografia eleitoral, se dá por deficiências (e não eficiências) tanto de Kátia como do MDB de Marcelo que não formaram novas lideranças, ainda que tenham mais convergências que divergências políticas.

Como é público, o que dava massa crítica ao feijão com arroz político do ex-governador era o pai, Brito Miranda, o ex-governador Iris Rezende (por gravidade) e os tais autênticos liderados pela poesia política de Derval de Paiva. Sem os três (Brito e Iris falecidos e Paiva quase aposentado), Marcelo ficou só.

De igual forma, a Senadora, apesar de inegáveis benefícios ao Estado (tanto como deputada federal, senadora de dois mandatos ou ministra) não conseguiu formar uma base parlamentar e política sólida no Tocantins, submetendo-se a apoios sazonais o que é um desmerecimento injusto e cruel ao seu trabalho dedicado que supera sua imprevisível passionalidade e que seu marketing tem feito uso, com tratamento adequado e propriedade nesta campanha.

Outra inversão: ainda que tenha viabilizado tantos benefícios à população (o catarata zero, os primeiros mamógrafos, os tomógrafos dos hospitais regionais, recursos para construção do hospital geral de Gurupi, do CER de Araguaína e outros) deteria, entretanto, uma das maiores rejeições.

Do ponto de vista eleitoral, o acordo de ontem se favorece Kátia, prejudica, por razão necessária,  Dorinha Seabra e Carlos Amastha, seus concorrentes diretos. Marcelo, com efeito, terá que fazer malabarismos retóricos para subir no palanque de Ronaldo Dimas do PL (que apóia sem coligação) ao lado de Carlos Amastha (PSB), o candidato oficial de Dimas ao Senado, ainda que também sem coligação.

E Kátia aceitar Marcelo tendo um acordo implícito de não criticar Wanderlei Barbosa, alvo do mesmo Ronaldo Dimas (de Marcelo e Amastha) e de Irajá Abreu (PSD), seu próprio filho.

O eleitor, como se nota, que se vire para separar alhos dos bugalhos.

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