Mais uma tragédia na T0-050 na tarde de ontem levou a vida de uma mulher grávida de oito meses (um bebê já formado, pronto para nascer) e o marido. De outro modo: três vítimas fatais.
Passei no local minutos após o acidente. Vinha de meu “Papai/Mamãe-Day” em Porto Nacional, como faço religiosamente todo sábado. Tão rotineiro quanto presenciar, semanalmente, tragédias ou sinais delas na via.
A contagem dos mortos já não causa espanto, nem as cruzes fincadas no acostamento. Tampouco parece sensibilizar a sociedade política para ações públicas, nem a sociedade civil num levante contra o desprezo à vida dos usuários. Muitos que utilizam a rodovia diariamente no trajeto de casa ao trabalho nos dois sentidos.
O tráfego interrompido, corpos de dois jovens estendidos no asfalto e dezenas de caminhões de carga numa fila quilométrica, em segundos, nos dois sentidos. Ali na descida do São João.
A rodovia Palmas/Porto está pior do que Goiânia/Anápolis/Brasília nas décadas de 70 e 80. Com um agravante: lá, não havia o boom do transporte de cargas do agro que existe entre Palmas/Porto Nacional. Se dava no outro vetor: sentido Sul/Norte. Rio Verde, Santa Helena, Jataí/Goiânia. Duplicada, acabou o problema.
Por aqui, o governo segue empurrando com a barriga o problema. Enquanto isto, famílias vão se perdendo, numa roleta russa com os cerca de 300 caminhões de carga que trafegam diariamente na pista precária.
A falácia da duplicação vem desde o Acelera. Foi anunciada pelo então governador Carlos Gaguim em 2010 (na solenidade desta foto aí de cima, na cidade) que mandou fazer licitação do projeto. Em 2013, o governo Siqueira Campos renovou a promessa. E nada.
Já no governo Mauro Carlesse, foi incluída no Projeto de Lei 04/2020 emenda do então deputado estadual Antônio Andrade destinando 25% da venda das ações do governo na Lajeado Energia (sócia do consórcio que construiu a UHE Luiz Eduardo) para a duplicação da TO-050. O governo esperava captar R$ 600 milhões com a venda. Não se sabe do destino do dinheiro.
Já no cargo, Wanderlei Barbosa anunciou (novembro de 2021) que a duplicação era uma de suas prioridades e que estava no seu planejamento.
Fez o contrário no ano passado: federalizou o trecho que agora depende da vontade política da União sua duplicação.
Teria que fazer malabarismo para fazer uso do R$ 1 bilhão que pretende contrair no BB para pavimentar rodovias na duplicação que não está na LDO nem na LOA.
Até mesmo uma diretriz na discussão da renovação do PPA, que acontece neste momento no Estado, seria de difícil consecução já que a rodovia foi excluída da competência estadual.
E seguem sem solenidade nenhuma os féretros decorrentes da insensibilidade política em nada circunstancial, mas escandalosamente voluntária.
Ainda que Porto Nacional tenha eleito seis deputados estaduais no ano passado e pelo menos quatro deputados federais e uma senadora tenham ligação direta com a cidade, como o próprio governador do Estado.


