O Ministério Público do Estado faz o seu papel. Às vezes excede, mas reconhecidamente esforça-se para colocar as coisas no eixo que o Executivo parece não enxergar. Ou as vê, mas tivesse diversa prioridade.
Vejam só esta: a promotoria teve que acionar ontem a Justiça para que um paciente idoso de Araguaína com tumor na laringe fosse atendido no HGP que o havia recusado por falta de vagas.
A informação do HGP contraria seus próprios números. No IntegraSaúde, da Secretaria de Saúde: nesta madrugada, havia 15 vagas de UTI adulta no HGP e hospitais contratualizados em Palmas.
Ligando a negativa e sua argumentação aos números públicos da regulação, poder-se-ia deduzir que o HGP estivesse preservando, quem sabe, vagas de reserva para urgências.Uma avaliação mais política do técnica, a não ser que falta de respiração em idoso não se encaixe nas urgências dos burocratas da saúde.
E aí, o idoso com respiração obstruída pelo câncer talvez não se encaixasse nestes critérios. Num SUS que, como é óbvio, se é obrigado por lei a atender qualquer um, independente da gravidade. A finalidade é a saúde e não o óbito.
A negativa (e demora) favorece piora da saúde do idoso podendo levá-lo a óbito. E aí o X: este ano, das 985 mortes de cânceres no Estado, 235 óbitos (23,8%) se deram em idosos.
Comparando com o ano passado, os números de 2023 são relativamente maiores. Em 2022, nos 12 meses do ano, foram a óbito por cânceres 1 mil e 256 pacientes. Destes, 232 idosos.
Algo precisa ser corrigido. A Saúde, tudo indica, não superou sua política discutível de negar atendimento, dizendo-se não fazê-lo por questões técnicas. Ademais, se não há vagas, a legislação permite contratá-las. Expediente de competência do governo..
De outro modo: as ambulâncias continuariam sendo devolvidas com pacientes aos municípios pela Regulação.
Isto quando a Secretaria de Saúde havia gasto, de janeiro a agosto, o montante de R$1,7 bilhão nos hospitais. Uma média per capita de R$ 1 mil e 125 para cada um dos 1,5 milhão de moradores do Estado em oito meses.


