O técnico de futebol do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo, recebeu ontem oficialmente o título de cidadania tocantinense. Digo oficial porque na prática Luxemburgo já é mais tocantinense que muita gente por aí. Há anos tem ligação direta com o Estado por intermédio de investimentos, já tinha domicílio na Capital e, agora, também empresário de comunicação.
Quando a Justiça Eleitoral barrou-lhe o direito de candidatar-se a cargos eletivos no Estado, há onze anos, apontei aqui neste blog a incongruência: Vanderlei tinha moradia e investimentos em Palmas, estava sempre na cidade mas o Tribunal Regional Eleitoral entendia que não era domicílio porque ele era técnico de time de futebol em outro Estado.
Uma graça de tese. Destas feitas por encomenda e que favoreceu, claro, os políticos profissionais da época. Vanderlei foi condenado por fraude de inscrição eleitoral por causa do domicílio que a Justiça entendeu que não tinha e que mantém até hoje como continua técnico (deixou o Vasco pelo Palmeiras).
Ou seja, uma falta de domicílio continuada. A seguir a tese dos juízes eleitorais da época, Luxemburgo viveria uma eterna fraude eleitoral já que continua com os mesmos investimentos, a mesma moradia, e mesmo trabalho e ânimo. Uma piada que o tempo cuidou de realçar com impiedosa eloquência.
Luxemburgo prometeu ontem levar um time do Tocantins à série B do Campeonato Brasileiro. É próximo do governador Mauro Carlesse e do vice, o xará Wanderley Barbosa. Pode, sim, cumprir a empreitada, tem experiência, rede de influência e demonstra vontade política.
No Estado, a Federação de futebol profissional é dirigida há três décadas pelo ex-senador Leomar Quintanilha e o esporte é isto que está aí ainda que tenha um Estádio (Nilton Santos) de porte razoável e uma Capital de 300 mil habitantes. Ou seja, não falta estrutura e sim gerência e foco. A CBF sustenta a FTF com recursos mensais, algo próximo de R$ 1 milhão anualmente. Até arbitragem, não raro, os clubes tem que se cotizar para pagar.
Luxemburgo pode fazer uso político disso? Pode e deve. É um direito seu e se fizer bem ao Estado, que mal haveria? O eleitor é que decide. Se a FTF, como é notório, tem sido ao longo dos anos instrumento político porque Luxemburgo não poderia fazer uso do que possa vir a conseguir para o futebol do Estado com sua técnica?


