Uma das primeiras decisões do ex-presidente Michel Temer após assumir o cargo de Dilma Roussef afastada por impeachment, foi extinguir, por decreto, o Matopiba.
A decisão de Temer atingiu diretamente os produtores agropecuários. E os empresários que deslocaram investimentos em hotéis, restaurantes e comércio de olho nas possibilidades da região.
No Estado, o então governador Marcelo Miranda, do MDB de Temer, defendeu escandalosamente a medida que não tinha qualquer justificativa que não acabar com um projeto de desenvolvimento da Embrapa retirado das gavetas pela petista.
A mesquinharia do MDB regional visava também o capital político da senadora e então ministra da Agricultura, Kátia Abreu (que saiu pelo país defendendo com números inquestionáveis o Matopiba), que passou de ex-aliada a inimiga do MDB, apesar de ter sido a responsável direta, não só pela viabilização da candidatura, mas eleição do emedebista.
Lula, agora, retoma, também por decreto, o Matopiba (Decreto 11.767). Um projeto que, na verdade, não é de governo nenhum, mas sim da Embrapa. No embalo do Matopiba, a então ministra Kátia Abreu conseguiu o Embrapa Pesca para a Capital. Um centro de estudos ímpar e de execelência no país que teve suas metas recalculadas com o decreto de Temer.
Uma região que engloba quatro Estados (MA/TO/PI/BA) e onde 200 mil dos 250 mil produtores situam-se na classe E (muito pobres), com renda entre 0 e 2 salários mínimos. E outros 35 mil (considerados pobres) tem rendimento de dois a 10 mínimos (Classe D).
Cerca de 59,8% da renda bruta na região, no entanto, vem de produtores da classe A (acima de R$ 260 mil de renda bruta) e outros. E outros 26,5% vem da Classe B (entre 10 e 200 mínimos). É a turma dos incentivos fiscais e das exportações crescentes.
Ou seja, 235 mil propriedades rurais (pobre e muito pobres) são responsáveis por apenas 13,6% da renda bruta do Matobipa. Os grande produtores (em menor número/15 mil propriedades) atendem a 86,4% de toda a renda destes quatro Estados.
É a região rica que os ricos preferem preservar para a sua produção. E onde os governos necessitariam destinar suas atenções, não ao grande negócio, mas à maioria que não produz sequer o necessário para sair da pobreza por falta de incentivos e de uma política pública decente para o setor.
Uma realidade para a qual Michel Temer e o MDB fecharam os olhos, antes de atolarem a cabeça no bolsonarismo, como o fez o ex-presidente emedebista.


