O governador, senadores e deputados federais do Estado (todos integrantes da base de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022) tem mais razões para escolherem o presidente Lula que Roberto Campos Neto (tido como bolsonarista) no debate sobre juros.
Primeiro porque a população não pode ficar à reboque dos engomadinhos da Bolsa de Valores e da banca que lucram com especulação (só os quatro maiores bancos lucraram R$ 93 bilhões em 2022), sem produzir uma agulha. Só especulação.
E segundo, porque Lula teve 60,3 milhões de votos (50,90% dos votos válidos) para comandar administrativa e politicamente o país, o que subordinaria a atividade do Banco Central, um órgão público, ao público e não aos mercados.E aqueles (última pesquisa Datafolha) majoritariamente apontam acerto de Lula na briga.
Só quem ganha com os juros, logicamente, os defende. O Brasil (13,75%) tem (2022) a terceira maior taxa de juros do mundo (só perde para Argentina e Turquia). E 15,9% da população (33 milhões) passam fome.
Índice relativo e estatístico menor que os 44% da populaçao do Tocantins na pobreza e extrema pobreza. No que, ao contrário da anomia congressista reinante, deveria impulsioná-la ao movimento pela redução dos juros. E não o escondidinho da omissão contemplativa no vou ver como fica pra saber onde vou.
Mais não bastasse, a desconexão entre inflação, taxa de juros e as necessidades da população é escorchante. Com implicações diretas em Estados como o Tocantins.
Só o governo do Estado gastou com encargos e o serviço interno da dívida em 2022 o montante de R$ 726 milhões. Mais que o dobro dos R$ 252 milhões de 2021 (balanços 21/22 publicados no DO).
Nos juros/encargos/variação monetária dos passivos foram R$ 644 milhões no ano passado contra R$ 342 milhões de 2021. Ou: R$ 302 milhões (88%) a mais.
Se considerarmos a variação cambial dos empréstimos internacionais, foram R$ 103 milhões no ano passado. E R$ 115 milhões negativos em 2021.
A situação decorre justamente da taxa de juros e inflação. Em 2021, a Selic fechou dezembro em 15,94% e uma inflação anual de 10,6%.Já em 2022, a taxa Selic fechou em 13,75% e uma inflação de 5,79%.
Como na maioria dos contratos adiciona-se juros (Selic) e correção da inflação, tem-se aí a sangria escandalosamente indecente e que, por aqui, nao provoca qualquer reação de congressistas e governo..
Só para raciocínio: o Estado gastou em 2022 com serviço da dívida interna, encargos e variação monetária e variação cambial mais do que o R$ 1,171 bilhões que pagou em investimentos no ano passado.
De outro modo: a população está pagando e comendo juros.


