No debate na TV Record/Fieto, o candidato petista ao governo Paulo Mourão pressionou o governador Wanderlei Barbosa a esclarecer à população se é um candidato bolsonarista ou não.
A pergunta tinha objetivos claros: a Ipec/Ibope (conforme o UOL ontem) coloca o Estado dentre as 15 unidades federativas onde Lula venceria Bolsonaro: 46% a 39%.
A pergunta enquadraria ideologicamente Wanderlei já que Lula declarou Paulo Mourão como o seu candidato. Favorecendo, claro, na tese, desvio de votos do governador ao candidato petista.
Óbvio que haveria controvérsias na indagação quase afirmativa, dado que o clã Bolsonaro veio ao Estado para o palanque de Ronaldo Dimas.
E como pelo Ipec/Ibope (conforme o UOL), Wanderlei tem 40% e Ronaldo Dimas, 17%, Irajá (8%) e Paulo Mourão (8%), a estratégia do governador de não escolher lado teria resposta nas pesquisas de intenção de votos.
Ademais, como mostrei ontem, Wanderlei Barbosa tem sido impulsionado financeiramente pelo União Brasil (R$ 5,2 milhões/98,5% dos valores arrecadados até 30 de agosto). E o União Brasil tem uma candidata a presidente, a senadora Soraya Thronicke, que prega o imposto único.
Aliás, o União Brasil projeta eleger dez governadores nas eleições deste ano. Ou seja, a pergunta do debate não teria outro sentido que não levar Wanderlei para o palco de Bolsonaro quando sua base partidária (e que o financia com o fundo eleitoral) tem candidato próprio ao Palácio do Planalto.
Uma das poucas decisões inteligentes dos marqueteiros de Wanderlei Barbosa no debate. Isto é, se o conselho deles tivesse partido, coisa que duvido, dada a formação alienígena do grupo publicitário da campanha que levou um candidato ao governo a um debate sem qualquer treinamento, sem ouvir os marqueteiros regionais e até primário, como o pior momento do governador no debate quando não soube responder ao senador Irajá Abreu o número de secretarias de Estado que administra.
De outro modo: os adversários já sabem o ponto fraco de Wanderlei que sugere preocupar mais o Governador com política deixando a administração por conta dos Secretários. Não conhecendo que uma coisa não vai para a frente sem a outra, no gogó mal ajambrado. E pesquisa é pesquisa. O já ganhou é irmão siamês do já perdeu.


