O ex-presidente Lula tocou na ferida: como é que o Brasil possuindo um dos maiores rebanhos do mundo pode cobrar o preço que cobra pelo produto no mercado interno. O Brasil é o segundo maior produtor de gado bovino do planeta com 226 milhões. O Tocantins está entre os dez maiores produtores do país com 8,6 milhões de cabeças.
É a lei da oferta é procura do mercado externo. Então para que existe governo que não para garantir a oferta interna? Sim, porque o próprio governo é que, com os incentivos fiscais (Lei Kandir), proporciona a maior oferta externa em detrimento da demanda interna.
Mais dinheiro no bolso do produtor, aumenta o colchão de dólar das reservas em desfavor do consumo interno. Ou seja: retira a carne da mesa do brasileiro para exportá-la (junto com os empregos). E ainda tem político dizendo que a relação é legítima e que o brasileiro estaria mal acostumado com o preço do filé.
Só de incentivos estaduais no Tocantins a indústria da carne para exportação foi beneficiada com benefícios fiscais de R$ 900 milhões nos últimos cinco anos. Exportou mais, ganhou idem e elevou o preço no mercado interno.
Apenas em 2018, conforme a Secretaria da Fazenda, foram R$ 208 milhões. As onze empresas exportadoras de carne não pagam ICMS sequer na conta de energia elétrica, setor onde o consumidor é obrigado a para 25% (oficiais).
No Estado do Tocantins se paga um dos maiores preços pelo quilo de carne no país. Um dos dez maiores produtores de bovinos. E ainda tem os incentivos da Lei Kandir (zero imposto para exportação) e os milhões do Plano Safra. Dinheiro subsidiado pelo consumidor que pode ficar sem a carne por não poder comprá-la em função do aumento do preço que incentivou.
O Ministério da Agricultura anunciou no final de semana uma queda de 9% nos preços na primeira semana de dezembro. Pode até ficar neste patamar. Mas ainda continuará sendo produto de um país dos absurdos que técnica, política ou regra econômica nenhuma explicaria.
A carne teve o preço aumentado em 30% no mês, contra uma inflação anual de 4%. Retirando os 9% da queda, se terá 21% de reajustes nominais em 30 dias. Ou: um ganho real de 17% em um mês. Um roubo explícito permitido pelo governo.
Em absoluto os governos, em favor de leis de mercado, podem permitir um negócio desses. Da mesma forma que atuam para incentivar a exportação (com as isenções de impostos) tem que aplicar retentores nos abusos internos.


