A escalada do governo do PT para dentro da CPI do 8 de janeiro expõe, sem margem de dúvidas, o bifrontismo de Lula e do grupo que o cerca.
É inequívoco que a extrema direita bolsonarista armou e tentou o golpe, só não logrando êxito pela reação imediata das instituições e sociedade brasileira.
Lula combateu (diz-se para não paralisar o Congresso), até onde pode, a CPI proposta por um dos envolvidos na intentona para investigar seu próprio crime, desempenhando o presidente o papel de agressor temeroso quando não haveria dúvidas da posição de vítima.
Na prática, é impossível não fazer uma conexão com a ação política do governo do PT, mantendo as mesmas condutas na relação com o Congresso bolsonarista. E que levaram a maioria dos eleitores a escolhê-lo em oposição ao modus operandi antecedente que, mesmo Lula, criticava e o teve como espectro do seu discurso eleitoral.
Uma decisão tão frágil, do ponto de vista político e da práxis, que transformou imagens discutíveis e inconclusas do Ministro do GSI como prova de que a própria esquerda de Lula havia tramado o golpe. Quando ele, não haveria dúvidas, foi construído publicamente nos quatro anos de Jair Bolsonaro e que, agora, pela tibieza e dubiedade de Lula e do PT que o segue, passa a passivo da esquerda, o alvo da extrema direita, na intentona de tomar-lhe o governo democraticamente eleito.
Ou seja, a extrema direita, por obra do PT e de Lula, conseguiu o concurso da esquerda na tentativa de derrubar a democracia brasileira. Equiparando os sem equivalência: Lula e Bolsonaro, esquerda e extrema direita.


