Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Lula anuncia ferrovia Oeste-Leste no PAC. Dilma defendia a Leste-Oeste!! O traçado é o mesmo, mas a inversão de origem e destino na comunicação não é casual nem trivial.Lula teve 72.12% dos votos dos baianos e 51,36% no TO

04/07/2023 762 visualizações

O presidente Lula vai assumindo suas “meas culpas”. Bom para o Brasil. E melhor ainda para o interior do país. Anunciou ontem a primeira etapa da Ferrovia Oeste-Leste (Caetité a Ilhés/BA).   O governador Wanderlei Barbosa comemorou o anúncio.

Disse Wanderlei:" “Contamos com o benefício de estarmos numa região propícia, não só para a produção agrícola e pecuária, mas também no escoamento desta produção. Agora, com o desenvolvimento da Ferrovia Oeste-Leste, que findará em Figueirópolis, a região produtora de grãos e minérios do Brasil se ligará ao Porto de Ilhéus, na Bahia, passando pelo estado do Tocantins”.

Em 1.987, quando ainda deputado federal, Lula apontou que a ferrovia Norte-Sul (iniciada pelo ex-presidente José Sarney) ligaria o nada a lugar nenhum (a outro nada).

Vocalizando as críticas da imprensa sulista. Ambos, a imprensa e Lula, erraram feio. Lula desculpou-se, a imprensa do Sul faz como se não tivesse errado. E segue o féretro.

Lula pediu desculpas a Sarney publicamente 36 anos depois, em vídeo, no mês passado, por ocasião da inauguração de trecho da Norte-Sul em Rio Verde (GO).

A Norte-Sul teve seu maior avanço justamente no governo da também petista Dilma Roussef tendo a senadora Kátia Abreu como Ministra da Agricultura.

A ferrovia Oeste-Leste (anunciada ontem), quando pronta, vai ligar os 1.527 km entre Porto de Ilhéus (BA) e a Ferrovia Norte-Sul em Figueirópolis (TO). Investimento de R$ 8,9 bilhões.

Prega o governo federal que também fará a Ferrovia Leste-Oeste que ligará Agua Boa (MT) a Mara Rosa (GO) e a Ilhéus. Quando por lógica deveria ligar Água Boa a Figueirópolis.

Isto tornaria, racionalmente, Figueirópolis (TO) – Ferrovia Norte-Sul) o ponto euxino ferroviário do centro-norte-nordeste do país. E não Mara Rosa 235 km acima. Duas ferrovias em uma.

Os próximos trechos da Oeste-Leste (Caetité/Barreiras (BA) e Barreiras/Figueirópolis (TO) seguem nos planos. Até Barreiras em andamento. Mas de Barreira a Figueirópolis (TO) sequer foi licitado. Depende da ANT e da União.

O governo do PT trata a ferrovia de Oeste-Leste (FIOL), diferente dos governos anteriores que a denominavam de Leste-Oeste.

Só para se ter uma idéia, na década de 30, o então deputado federal do ex-Norte de Goiás (hoje Tocantins), médico Francisco Ayres da Silva, colocou no orçamento (a capital do Brasil era Rio de Janeiro) recursos para estudos sobre a Ferrovia Norte-Sul que englobava o traçado da Norte-Sul/Leste-Oeste. E não Oeste-Leste.

O projeto não foi adiante porque o governo federal desviou a grana para as comemorações do centenário de independência do Brasil, em 1.922. O deputado rachou e deixou a base do presidente.

Em tese, invertendo o sentido, Leste-Oeste para Oeste-Leste significaria, agora, que partiria da Bahia (portos) para o Tocantins e Mato Grosso (da produção) e o não o contrário. Com implicações, por lógica também, no calendário de execução das obras e aproveitamento do modal.

Como, outra obviedade, o modal transporta a produção para os portos (e não dos portos à produção) – do interior para o litoral – origem e destino não é fruto do acaso, assim como início, meio e fim.

De forma que, invertendo o fluxo da construção, os benefícios da obra seriam primeiramente dos baianos do litoral (que recebe a produção) do que dos produtores do interior da Bahia, Tocantins e Mato Grosso. Escolhas meramente políticas. E não econômicas.

Ah, LA, mas vai entregando e utilizando. Melhor do  que fazer, por exemplo, Figueirópoiis a Barreiras e aí parar, sem chegar a Ilhéus caso o fluxo seja invertido para Leste-Oeste. Pode ser, mas deveria uma explicação e demonstração pragmática à população dos motivos.

Até porque de Barreira a Figueirópolis, por exemplo, levaria a produção da região, da mesma forma, aos portos, pela Norte-Sul. Ou seja, não se dispensaria a tese de escolha política a atual.

Conforme estudos (tanto do governo federal quanto da Confederação Nacional dos Transportes) o déficit de investimento no Brasil é de R$ 1 trilhão e a demanda do modal é de R$ 448 bilhões.

No Brasil, apenas 15% da produção é transportada pelas ferrovias. Nos EUA, esse índice é de 42 % das cargas. Lá (EUA) a rede ferroviária é de 226 mil quilômetros, no Brasil ela é de apenas 30 mil quilômetros.

E volto ao amigo e jornalista Salomão Wenceslau: é, pois é, é isso aí.

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