A suplente de deputada Luana Ribeiro toma posse nesta quarta na vaga do titular Ivory Lira (saiu para disputar a prefeitura de Miracema).
O PCdoB e a deputada celebraram. Ainda que Ivory continue titular e eleger-se prefeito não dependa apenas de vontade. E que a deputada tenha trocado o partido por outro há dois meses.
De outro modo: como Ivory há muito dizia disputar a prefeitura, o troca-troca de Luana em abril não teria sentido.
Luana assumiria sem o papel de trânsfuga relâmpago e sem autocrítica que só se justificaria por outra necessidade e de maior potência.
Luana é a primeira suplente da Federação PV/PCdoB/PT). Obteve 12.424 votos. Perto de mil a mais que a segunda suplente, a petista Amália Santana (11.532 votos).
A suplência e os votos de ambas tiveram causa única: a Federação partidária que somou os votos para o quociente eleitoral e partidário.
Amália não deixou o partido nem a Federação. Luana fez as duas coisas: trocou o PCdoB pelo PSD em abril, carregando votos e suplência – com anuência – e agora os traz de volta com o mandato.
De outro modo: PSD e PCdoB seriam gêmeos políticos. É como se João Amazonas e Getúlio Vargas carregassem os mesmos princípios políticos e partidários.
Se o texto, diante do contexto, resultasse de massa inteligente, poder-se-ia raciocinar que Luana não tivesse deixado o PCdoB. Apenas entrara no PSD.
E isto só faria sentido se o Republicanos do governo (apoiado pelo PCdoB nas eleições de 2022) tivesse desejado plantar um aliado no quintal do adversário declarado: o senador Irajá Abreu, presidente regional do PSD.
Seria muita desfaçatez a suplente buscar lá no mês de abril justamente o PSD quando teria uma sopa de letrinhas aliadas do Palácio na janela partidária. Como o faz agora com a declarada inclinação e defesa governista.
Não seria irrazoável, assim, o reposicionamento tático e estratégico, no mesmo abril, do senador Irajá Abreu, refluindo da pré-candidatura de Luana. Depois de apresentá-la ao presidente nacional do partido como tal.
Não falta ao PCdoB nem à deputada (que tem seus méritos próprios), portanto, o silêncio sobre explicações devidas. E que é uma mudez compatível com a reação do PSD tanto na filiação quanto na desfiliação da suplente.
Com o eleitor de fora da movimentação, ainda que seja aquele que banca, com o fundo eleitoral (R$ 4,9 bilhões em 2022), a campanha que deu o mandato aos envolvidos.
É provável que o PT recorra por Amália mas improvável que tenha êxito.E os mandatos eletivos não passem de propriedade individual e não uma delegação coletiva.


