A deputada Vanda Monteiro ganhou ontem o reforço da deputada estadual Luana Ribeiro. A tucana já foi presidente do Legislativo estadual e candidata a prefeita de Palmas em 2012 quando obteve a terceira votação (Amastha, 59,6 mil votos, Marcelo Lélis, 51,9 mil e ela 5,8 mil votos).
Luana (pelo divulgado pela assessoria de Vanda) teria discursado isto na coletiva de anúncio do apoio: "Eu não apoio sigla, eu apoio pessoas. Vanda Monteiro gosta de gente, não tem preguiça e vai administrar para o povo".
A declaração é daquelas preciosidades que não podem deixar de ser apontadas. Luana diz não apoiar o instrumento que a possibilita exercer mandatos. Seria, portanto, em tese, contra o seu próprio cargo político por sua origem.
No Brasil, partidos precedem os mandatos. Sem partido, não há candidatura e, por óbvio, candidato eleito e o mandato dela consequente. Luana diz, assim, não apoiar sua gênese. Defenderia, é possível deduzir, uma outra forma de encaminhamento do voto que não a legenda.
E não se está falando em voto de legenda na proporcional que existia em 2018 (sua última eleição para deputada) – e agora não existe mais – o que piora a situação. O candidato dependerá, nos votos, exclusivamente do seu partido. E não mais dos outros.
O PSDB, de Luana, tem uma candidata (Cínthia Ribeiro) que, como lógico, não tem o apoio de Luana, do PSDB, dado a declaração pública à candidata do PSL, que só é candidata porque é filiada a um partido, o PSL.
Luana, tal como Vanda, tem direito às suas opiniões pessoais sobre os partidos assim como o partido, PSDB, teria motivos razoáveis para expulsá-la, Luana, do grupo partidário que se reúne justamente por tomar partido de uma causa comum onde a condição essencial é aceitá-la. Imagina a pessoa filiar-se a um grupo não apoiando a idéia de grupo!!! Um contrasenso.
Ou seja: as premissas indicam que Luana não seria, na verdade, contra partidos, mas contra a candidata do seu partido. E como a candidata do seu partido tem feito um trabalho reconhecido na cidade, o deslocamento estaria situado na faixa sombria dos afetos. E que não tem nada a ver com partidos e sim com pessoas.
E aí fecharia o círculo da declaração: para a parlamentar apoiar pessoas seria mais relevante que apoiar o partido. Realçando, pelo contexto em que se insere, também o seu contrário: não apoiar partidos seria, certo modo, uma forma de não apoiar pessoas. Ainda que não fossem sentimentos excludentes na vontade já que todos reivindicam, a priori, o bem-estar da população.
Divergiriam apenas na forma posto não haver parlamentar sem partido. Muito embora, não raro, se registre partido sem parlamentar.


