O governo do Estado e o BNDES perderam a oportunidade nesta quinta de demonstrar, com maior detalhes, o projeto de concessão de parte do Parque do Jalapão. O superintendente para assuntos de governo do banco, Pedro Bruno e o secretário de Parcerias, Claudinei Quaresmin, torraram duas horas para informar o óbvio: esta é só a primeira etapa, o BNDES não é a empresa que vai contratar e o governo quer o melhor dos mundos para Jalapão e para o Estado.
Os dois dirigentes deram, por outro lado, um show de prolixidade enquanto do lado de fora manifestantes protestavam contra a forma como, para eles, é encaminhado o projeto. A limitação do número de jornalistas (e a sua escolha) a fazer perguntas pareceu fazer parte de uma estratégia, preponderando uma espécie de troca de figurinhas, uma forma não condizente com a oficialidade da circunstância e as implicações econômicas e sociais que podem derivar do projeto no Estado.
Resultado: não foi perguntado (nem governo e BNDES informaram) como farão uma licitação este ano (que envolve valores) se ela, a priori, não está prevista no orçamento. Se está, demonstrasse em que conta ou rubrica. Ainda que o Secretário de Parcerias tenha adiantado que o edital sairá no final do mês (o presidente do BNDES estaria confirmado dia 30 na Capital).
O governo não informou (e também não foi-lhe perguntado e ao BNDES) quanto espera de lance mínimo na licitação da concessão. E o que fará com o ágio do leilão, caso haja concorrência, como se disse esperar, dada o interesse de grandes grupos, como se realçou nesta manhã. Se houver ágio, como o contabilizará sem orçamento.
Também não informou o governo (e não foi perguntado) quando a Administração começará a alimentar o fundo garantidor, com as movimentações orçamentárias previstas na lei.
Se ele já aprovou o fundo garantidor (e os percentuais a serem nele depositados) dever ter uma estimativa do valor da licitação já que ambos são atrelados. Ou seja, poderia ter informado hoje a projeção da garantia e do investimento privado.
Como é lógico, o governo vai ter que deixar de aplicar em saúde, educação, segurança ou infraestrutura para mandar um percentual ao fundo. Ainda que seja apenas uma garantia, ele não poderá mexer nestes valores durante a concessão.
Para manter, por exemplo, as mesmas aplicações deste ano nestes setores, terá que elevar impostos, aumentar a base tributária ou cortar despesas em algum lugar. Isto porrque as fontes de receitas são as mesmas. Daí a conbrança de transparência que passou batido nesta quinta, mesmo que o governo e BNDES ali estivessem justamente para iluminar a questão.
Além disso, faltou ao governo demonstrar os estudos que diz já terem sido realizados pelo Banco Mundial e do próprio BNDES. Expostos, poderiam ajudar no esforço do governo de convencer a população de que está no caminho certo e que os quilombolas e agentes de turismo é que estariam a defender interesses corporativos e privados.
No popular, a coletiva de hoje do BNDES e da Secretaria de Parcerias não passou de encheção de linguiça. Apesar da boa vontade e paciência dos jornalistas mais preocupados em esclarecer do que em levantar a bola para o governo cortar.
Tática que favoreceu a resistência no apelo popular contra a entrega, sem transparência como pregam, do Parque do Jalapão.
O governo podia hoje ter feito um gol, mesmo que de pênalit. Mas chutou nas arquibancadas.


