A entrega do Partido Progressista para a senadora Kátia Abreu no Estado que assume a presidência da legenda tendo o suplente de deputado federal Lázaro Botelho como vice-presidente da Comissão Provisória modifica o espectro político regional.
Uma decisão inesperada já que Kátia Abreu estava, há uma semana, de malas prontas para o PSD, partido que ajudou a criar, como declarou em primeira mão a este blog. "Foi uma reviravolta de quinta pra cá", expressou-se ao blog na noite de ontem a parlamentar, realçando que a orientação é unir e fortalecer.
A mexida reduz poder político de Mauro Carlesse e aumenta a musculatura de Kátia Abreu. Ambos potenciais oponentes daqui a três anos: seja na disputa pelo Senado ou pelo interesse presuntivo do Governador de fazer seu sucessor, mantendo seu grupo político no poder.
O Governador aposta nas obras dos empréstimos (esforça-se para equilibrar as contas mas salários do funcionalismo e encargos das dívidas reduzem os investimentos), mas tem sido confrontado com as emendas parlamentares de Kátia que não tem feito oposição cerrada ao governo mas tem sido acusada de fazer um governo paralelo. Ainda que emendas parlamentares fossem legais e legítimas.
Com Lázaro Botelho deve seguir a esposa, deputada estadual Valderez Castelo Branco. Um e outro lideranças capazes de enfrentar o protagonismo de Ronaldo Dimas em Araguaína e derrotá-lo, reduzindo suas pretensões de disputar o governo. Ou mesmo de inibir, de plano, candidaturas do governo na cidade, ainda não definidas. De outro modo: o governo perdeu um candidato e ganhou um adversário.
Há implicações também na Capital onde o PP tem o vereador Milton Neres como opção não desprezível, do ponto de vista eleitoral. E o governo jogou ao mar a candidatura do vice Wanderlei Barbosa. Noutra decisão política que certamente trincou a relação e a base do governador na Capital. Wanderlei teve que abandonar uma candidatura que busca há mais de duas décadas por prováveis nove meses de governo.
De quebra, o fator-PP divide, ainda, o siqueirismo que enxergou em Carlesse uma via para escoar suas demandas na ausência de poder político de Siqueira. Como outros tantos, Lázaro e Valderez são crias leais de Siqueira Campos.
Lázaro e Valderez vinham seguidamente sendo preteridos pelo Palácio. O suplente de deputado foi fritado pelo governo nas tratativas de entregar legenda a Wanderlei Barbosa para disputar a prefeitura da Capital.
O governo fez chegar ao público que havia mercadoria de troca: uma vaga para Lázaro na Câmara que não veio. E Valderez foi deixada à própria sorte nas acusações de contratação de lideranças no embalo de denúncias que atingiram também o Executivo. O governo retirou-a da liderança em plena crise.
Evidente que o governo sempre poderá argumentar, legitimamente, não querer praticar fisiologismo e nem fazer uso da máquina para trazer um deputado federal e ali colocar um suplente. Ou colocar o governo no palanque eleitoral da capital só porque o vice-governador que disputar a prefeitura. São argumentos plausíveis e defensáveis. Mas na política não é assim que funciona.
A perda do Palácio é sintomática. Não de hoje aliados do Governador criticam-no, do ponto de vista político, pela prática individualista que termina isolando-o dos políticos e, por óbvio, dos eleitores. Haveria mais pragmatismo que política na aprovação dos projetos do Executivo no Legislativo.
No caso do PP, o partido elegeu dez prefeitos em 2016. Somando estes aí aos 27 prefeitos do PSD, liderados pelo senador Irajá Abreu, tem-se 26% dos municípios do Estado diretamente ligados a Kátia Abreu. Uma potencial considerável.
E como Kátia não tem mandatos para distribuir na Câmara dos Deputados, a decisão de Lázaro Botelho se torna substancialmente de carga reativa, tomando Mauro Carlesse como adversário a ser combatido.
Ainda que apenas na disputa na prefeitura de Araguaína, segundo maior colégio eleitoral do Estado, onde o governo ainda não tem candidato e o casal que deixa o bloco governista tem chances reais de êxito eleitoral.


